Mercado da marijuana legal também ganhou no dia 9

  • Juliana Nogueira Santos
  • 17 Novembro 2016

Oito estados legalizaram a marijuana na terça-feira presidencial. O que é que isto significa num mercado que já gera mais de 7 mil milhões de dólares em vendas?

Já passou mais de uma semana depois das eleições presidenciais, mas as consequências da vitória de Donald Trump ainda ecoam nos meios de comunicação. Fazem-se previsões, tenta-se encontrar sentido numa quantidade massiva de informação que foi lançada durante a campanha, tanto pelo candidato como pelos media, vão se fazendo apostas sobre quem irá integrar a administração republicana…

Mas, neste dia e, além do chefe de estado, o senado e a casa dos representantes, os eleitores de alguns estados tiveram de exercer o seu voto no que toca a outros assuntos, nomeadamente à legalização da marijuana. Nos estados do Arkansas, Flórida, Dakota do Norte e Montana decidiu-se o uso medicinal da planta, enquanto no Arizona, Califórnia, Massachusetts, Maine e Nevada decidiu-se o uso recreativo. Destes, a proposta de legalização só não foi aceite pelos eleitores do Arizona.

Desta forma, passaram a ser 28 os estados nos quais é permitido o uso, qualquer um deles, da marijuana. Isto corresponde a cerca de 75 milhões de americanos a terem acesso legal à planta — 1 em cada 5 no país.

Negócio verde

Segundo a Arcview Market Research, uma empresa de investigação na área do canábis, a marijuana legal gera, neste momento, 7,4 mil milhões de dólares em vendas. Estima-se que este valor aumente exponencialmente com as recentes legalizações: os oito estados podem vir a contribuir com cerca de 8 mil milhões dos 20,6 previstos para 2020.

A empresa mais bem-sucedida do ramo, a britânica GW Pharmaceuticals, que está avaliada em 2,8 mil milhões de dólares, tem estado a negociar as ações em máximos históricos, tendo atingido os 134,02 dólares por ação.

Isto são boas notícias, não só para as empresas da áreas como para os cofres do estado, visto que estes estados passarão a trazer milhares de milhões de dólares em impostos. Kyle Sherman, presidente da FlowHub, uma empresa de software para produtores e retalhistas de marijuana, sublinhou este aspeto, em declarações à Forbes: “A legalização do uso de canábis para adultos na Califórnia é uma notícia fantástica para a saúde deste país. Os impostos vão voar para o estado em vez de irem para o mercado negro.”

Governo de Trump pode trazer (mais) incertezas

Durante a campanha, Donald Trump disse que não tinha qualquer problema com a utilização medicinal da marijuana e que iria deixar a decisão nas mãos dos estados. Contudo, tanto o seu vice-presidente, Mike Pence, como as suas presumíveis escolhas para os postos mais altos da administração, Rudy Giulianni e Chris Christie, têm visões muito mais conservadoras acerca do assunto.

Ainda como governador do Indiana, Pence tinha intenções de reforçar as penalizações por posse. Rudy Giulianni queria transformar a cidade de Nova Iorque, da qual foi presidente da câmara durante oito anos, na capital das prisões devido a marijuana — posse e consumo.

Quanto a Chris Christie, este fez questão de deixar clara a sua posição na campanha para as primárias do partido Republicano: “Temos um grande problema de vício neste país. Precisamos de enviar ordens claras da Casa Branca para os legisladores federais.”

Não é certo que o presidente eleito vá ser diretamente influenciado pelos seus conselheiros — na verdade, não se sabe bem quem o irá influenciar –, ou que a próxima administração terá algo a dizer acerca deste assunto. Para já, o mercado da marijuana legal está, calmamente, a prosperar.

Texto editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt)

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