Emails do Estado atiram CTT para perto do IPO

A intenção do Estado de passar a enviar notificações por correio eletrónico em vez do correio normal está a penalizar a empresa de correios. Os analistas reconhecem o impacto, mas confiam nos CTT.

Os CTT continuam a afundar. As ações estão cada vez mais próximas do valor do IPO, em dezembro de 2013. Registam mais uma forte queda em resultado da decisão do Estado de passar a enviar notificações aos contribuintes, por correio eletrónico em vez de por correio tradicional. Os analistas consideram que esta mudança é penalizadora para a empresa de correios, mas o impacto será limitado.

As ações da empresa liderada por Francisco Lacerda recuam 3,29%, para os 5,648 euros, estendendo para perto de 8%, as perdas acumuladas desde a última sessão. O título aproxima-se assim cada vez mais dos 5,52 euros a que começaram a ser negociados na estreia na bolsa portuguesa, no início de dezembro de 2013.

Ações dos CTT em forte queda

Fonte: Bloomberg (Valores em euros)
Fonte: Bloomberg (Valores em euros)

O Governo vai notificar os cidadãos através de correio eletrónico. As cartas poderiam impulsionar as receitas dos CTT, uma vez que “as notificações fiscais têm de ser enviadas por correio registado”, mas isso vai mudar para poupar dinheiro aos cofres do Estado.

A pressão vendedora é tal ordem que o volume de negociação é substancialmente superior ao que é normal. Esta sexta-feira, o volume de negociação dos títulos dos CTT já ronda as 442 mil ações, sendo que a média diária nos últimos seis meses é de 580 mil títulos (num dia completo), segundo dados da Bloomberg. Só ontem, os trocaram de mãos mais de 1,8 milhões de ações da empresa liderada por Francisco Lacerda.

"As medidas anunciadas estão inseridas num contexto de poupança de custos por parte do Estado, algo que deve ser percecionado como recorrente para o futuro e que terá impacto na margem operacional deste segmento de negócio dos CTT.”

CaixaBI

Os analistas consideram que a alteração de envio por parte do executivo é penalizadora para o segmento dos correios. “As medidas anunciadas estão inseridas num contexto de poupança de custos por parte do Estado, algo que deve ser percecionado como recorrente para o futuro e que terá impacto na margem operacional deste segmento de negócio dos CTT”, comentam os analistas do CaixaBI, que continuam a recomendar “comprar”.

Ainda assim, o banco de investimento alerta que o impacto sobre as receitas dos CTT não será para já. “As presentes medidas serão implementadas de forma faseada ao longo de 2017 e numa primeira fase o seu impacto deverá ser limitado visto que uma grande parte dos particulares e empresas optarão por continuar a receber as notificações em formato físico”, diz o CaixaBI.

"O potencial impacto negativo na estrutura dos volumes de envio de correio não deverá ficar longe (tendo em conta os nossos pressupostos) face ao que já mencionamos desde o IPO.”

Haitong

No mesmo sentido vai a opinião do Haitong. Os analistas do banco de investimento lembram que o Estado é um importante cliente dos CTT, representando cerca de 20% dos volumes de correio. “Isto pode ter um importante impacto negativo para os CTT, acelerando a quebra do volume de correio, mas precisamos de ter em mente que qualquer grande impacto apenas será conhecido nas estimativas para 2018 e o potencial impacto negativo na estrutura dos volumes de envio de correio não deverá ficar longe (tendo em conta os nossos pressupostos) face ao que já mencionamos desde o IPO (uma queda estrutural do volume de 3% a 5% em termos anuais)”, diz o Haitong.

O banco de investimento manteve assim a sua recomendação de “comprar”, apesar de reconhecer que “o sentimento de curto prazo pode ser afetado por estas notícias”, acrescentando que o título negoceia a múltiplos que “não são caros”.

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