Paulo Macedo: “Poupamos menos porque vivemos mais”

  • Ana Luísa Alves
  • 1 Dezembro 2016

O ex-ministro da Saúde foi ouvido na conferência "Portugal Seguro", promovida pela Associação Portuguesa de Seguradores, mas o assunto CGD não esteve em cima da mesa.

O ex-ministro da Saúde, e recentemente apontado como o próximo presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, salientou, na conferência promovida pela APS, que um dos problemas da poupança em Portugal tem a ver com o aumento da esperança média de vida.

“Agora poupamos menos porque se vive cada vez mais, e o dinheiro não chega para os anos que se vivem a mais”, explicou o ex-ministro da Saúde.

Quanto à necessidade de poupar, o ex-ministro explicou que é “através da poupança que devemos financiar o investimento de forma virtuosa, caso contrario financiamo-lo através do endividamento”, e acrescentou que a poupança é essencial, sobretudo, em termos macroeconómicos”.

“Os indivíduos poupam para fazer face a acontecimentos futuros e inesperados, e estes acontecimento nunca tiveram um pico de tão grande incerteza como agora”, explicou Paulo Macedo, que salientou que a sua presença na conferência era para falar apenas de poupança e não de assuntos relacionados com a Caixa Geral de Depósitos.

Entender a maneira como os portugueses encaram a economia era também um dos propósitos do estudo apresentado na conferência desta quarta-feira, no Centro Cultural de Belém. Fernando Alexandre e Luís Aguiar-Conraria, professores e autores do estudo “A Poupança e o Financiamento da Economia”, da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, explicaram que a taxa de poupança é ainda inferior à desejado. No entanto, para Fernando Alexandre o “investimento depende da poupança nacional, e é com a poupança que se financia a economia”.

“As famílias portuguesas endividaram-se muito a partir dos anos 90, mas mesmo assim ainda estão longe do endividamento de países como a Dinamarca, em que o endividamento é 300 % do rendimento disponível. Em Portugal é cerca de 15%”, acrescentou Fernando Alexandre.

O governo, no discurso de Ricardo Mourinho Félix, reafirma também a importância do setor segurador. Afirmou que entre o governo e a APS será promovida uma “colaboração mais estreita para o planeamento do objetivo comum que é o financiamento da nossa economia”,

Mourinho Félix acrescentou ainda que a visão do governo para o setor segurador é “clara”. “Existe uma ligação entre a taxa de poupança e as condições de financiamento, quanto maior a taxa de poupança menores são os riscos associados à volatilidade dos mercados e menores os processos de endividamento”, afirmou.

Ainda no evento falou também o presidente da APS, José Galamba, e afirmou que “o setor segurador tem uma enorme importância na economia” porque “o investimento por parte das seguradoras é sinal de confiança na economia nacional.

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