Um 911 de quatro portas? Não, é o novo Panamera

Logo quando foi lançado, o Panamera foi visto como um 911 para a família. Agora, com a nova geração, a comparação com o desportivo acentua-se. A "culpa" é da nova traseira.

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O Panamera mudou… para melhor. Depois de sete anos, com mais de 150 mil automóveis vendidos a nível mundial, a fabricante de Estugarda põe no mercado um quatro portas de grandes dimensões mas com todo o estilo do mítico 911. Esteticamente, é um salto em frente. A andar, continua a colar as costas ao banco.

“O que é diferenciador é, claramente, o design. Fomos fiéis à coragem de mudar”, e isso nota-se. Há, diz Nuno Costa, uma “inspiração na silhueta do 911” que tem, e vai continuar a ser, a fonte para outros modelos da marca. Trata-se de utilizar sempre o “ADN do nosso modelo icónico”, nota o director-geral da Porsche Ibérica.

Desse ADN faz parte a silhueta, os faróis à frente, mas também a traseira. E esse ponto foi sempre alvo de ódios. “A traseira foi discutida durante muitos anos. As pessoas não gostaram”, apesar das elevadas vendas registadas. Por isso, a marca trouxe uma traseira totalmente nova com os dois faróis a serem ligados entre si através de uma fina linha de LED.

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Essa linha faz brilhar a traseira de noite, mas também se acende de dia com toda a potência à frente à obrigar a alguns suspiros no travão. É que debaixo do capot estão três novos motores: V6 Biturbo do 4S, V8 Diesel e o V8 Biturbo do Panamera Turbo. Tem, somente, 550 cv. E chega aos 306 km/h.

Não chegámos perto, mas o motor prova que se o condutor quiser, ele dá… Entre Valência e Benidorm, em Espanha, o rugido do V8 fez-se ouvir apesar do dilúvio – choveu de lés-a-lés. Então com o pequeno toque do seletor de modos de condução Sport ou Sport +, a adrenalina aumenta ainda mais. Melhor? Só com o Sport Response. São 20 segundos de Fórmula 1… em estrada.

Mesmo com piso molhado, o Panamera mostra que anda muito, mas também que está ali para proteger os passageiros. Há um vasto leque de ajudas à condução — de ressalvar que são todas desligáveis para quem quer um carro mais puro –, mas o destaque vai para o Innodrive. Este sistema ajuda, entre outros, a corrigir as curvas mas também a velocidade consoante o piso e as condições.

Um ecrã Bimby

Uma serie de ajudas que fazem do comum condutor um verdadeiro piloto de auto-estrada todas elas controláveis a partir de uma consola central totalmente redesenhada. “O interior está totalmente irreconhecível. É totalmente novo. E será a base para toda a gama da Porsche”, diz Nuno Costa. Um ecrã de 12,3 polegadas colocado ao centro do tablier permite selecionar as ajudas, os modos de condução, a altura ao solo, barulho do escape e o aileron (aberto ou fechado). Vale a pena assistir ao espetáculo de abrir e fechar do aileron… Faz lembrar o Kitt quando passava para o Pursuit Mode.

Alem do básico de escolher o áudio, à navegação, também o acesso ao Car Play, que permite utilizar as aplicações dos telemóveis da Apple, os iPhone, no ecrã do Porsche. No total, desapareceram 60% dos botões só Panamera. Esta tudo num ecrã que é quase uma Bimby. Requer habituação para dominar todas as funcionalidades, mas o facto de agora ter passado a falar português ajuda bastante.

Não é, contudo, o único ecrã do Panamera. Há ao todo três. O grande da consola central, um outro em frente ao condutor — tem toda a informação da viagem, incluindo os consumos que rondaram os 11 e os 15 litros –, a navegação, mas também a câmara de visão noturna que o ajuda em situações imprevistas durante a noite — e mais um para quem vai atrás. Se quem vai a frente, especialmente com as mãos no volante do 911, o novo gigante da Porsche consegue ser desportivo e confortável ao mesmo tempo, quem vai atrás pode relaxar.

Os bancos em pele — além de toda a outra pele presente no interior do Panamera — seguram o passageiro do Panamera. Dão apoio quanto baste nas curvas, e massagens — sim, massagens — a lá carte nos dois bancos de trás. No ecrã entre os dois bancos, pode selecionar a massagem que pretende num conjunto de diferentes técnicas. Além disto, permite ajustar a temperatura e até criar um ambiente mais acolhedor levantando as cortinas com apenas um toque num ecrã.

Mais de 100 mil. É muito?

Só falta mesmo um outro botão para separar os passageiros do condutor para se parecer com uma limousine. Mas se para andar no banco de trás da Panamera podem bastar algumas dezenas de euros numa qualquer app de transporte de luxo, para ter o prazer de por a mão no volante serão precisos vários milhares. O mais barato dos Panamera, o híbrido, custa 115 mil euros, já o 4S chega a 126 mil. O Turbo atira-se para os 176 mil euros.

É mais de uma centena de milhar euros que muitos portugueses estão dispostos a pagar por um Panamera que agora está em condições de cumprir com o ADN da marca. E isso mesmo esta a fazer com que vários queiram tê-lo. “Estamos a ter o clássico bom problema da Porsche em Portugal: não temos carros para as encomendas”, diz Nuno Costa. As primeiras unidades para a Europa serão entregues em meados de abril de 2017.

 

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