Itália precisa de medidas adicionais mas “é impossível pedi-las”

  • Marta Santos Silva
  • 5 Dezembro 2016

Nesta fase política, diz o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, o Governo italiano não está em condições de se comprometer a tomar medidas adicionais -- mas são necessárias.

O Eurogrupo considera que Itália precisa de medidas adicionais para cumprir as metas orçamentais, mas na situação política atual “é impossível pedir ao Governo italiano que se comprometa” com essas medidas, disse o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

Na conferência de imprensa que se seguiu à primeira parte da reunião do Eurogrupo esta segunda-feira, Dijsselbloem, que também é o ministro das Finanças holandês, fez referência à ausência do seu homólogo italiano, Pier Carlo Padoan. “Falei com ele esta manhã e concluímos que neste momento é difícil para o Governo italiano comprometer-se com medidas adicionais”, disse Dijsselbloem aos jornalistas. “Por isso, o Eurogrupo convida a Itália a tomar os passos necessários num futuro próximo, para assegurar que o Orçamento cumpre as metas“.

Após a derrota das reformas constitucionais que propunha num referendo este domingo, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi anunciou que iria demitir-se. Tendo em conta essa circunstância, o ministro das Finanças italiano não compareceu à reunião com os seus homólogos da zona euro. Pier Carlo Padoan é um dos favoritos para substituir Matteo Renzi enquanto primeiro-ministro no período de transição até às próximas eleições.

Sobre o tempo que vai ser dado aos italianos para prepararem as medidas adicionais, Jeroen Dijsselbloem disse não ser possível neste momento fazer uma calendarização. “Outros ministros que estavam na reunião comprometeram-se a tomar medidas adicionais quando fosse necessário, mas é impossível pedir isso ao nosso colega italiano. Se me pedir calendários, não os tenho, porque não é uma decisão minha, é da Itália e do Presidente italiano, que vão agora decidir os passos a tomar“, explicou Jeroen Dijsselbloem.

Tanto Jeroen Dijsselbloem como o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, aproveitaram para sublinhar a importância de medidas reformadoras que ajudem a simplificar e modernizar o Estado, referindo-se ao referendo no qual os italianos rejeitaram o plano de modernização de Matteo Renzi. “O atual Governo adotou uma série de reformas económicas, sociais e políticas que são muito importantes para o país”, afirmou Moscovici, enfatizando ainda a “grande dignidade” demonstrada por Renzi perante a sua demissão.

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