Commerzbank: Portugal é uma das “vítimas” das mexidas no programa do BCE

A alteração do programa de compra de ativos do BCE representa "más notícias" para Portugal, diz ainda o banco alemão. Juros da dívida deverão continuar sob pressão antecipa o Commerzbank.

O BCE apanhou o mercado de surpresa. Esta quinta-feira a entidade liderada por Mario Draghi decidiu estender a compra de ativos, pelo menos até dezembro do próximo ano, mas ao mesmo tempo reduziu a dimensão do programa, dos atuais 80 mil milhões de euros mensais para 60 mil milhões, a partir de abril.

Em duas notas divulgadas entre ontem e hoje, o Commerzbank diz que as alterações anunciadas pelo BCE após a reunião de governadores dos bancos centrais europeus desta quinta-feira são “más notícias” para Portugal, sendo a dívida pública nacional uma das principais “vítimas”.

Na manutenção dos critérios de elegibilidade das compras de ativos reside grande parte da justificação para as preocupações suscitadas pelo Commerzbank. Entre os analistas, existia a expectativa que o BCE aumentasse o limite das suas aquisições de 33% para 50%, o que favorecia Portugal, já que iria aumentar a capacidade desta instituição de comprar dívida nacional. Contudo, tal não aconteceu. A entidade liderada por Mario Draghi optou apenas por encurtar, de dois para um, o limite mínimo para a maturidade dos títulos de dívida elegíveis para o seu programa de compra.

"Está a tornar-se óbvio que o programa [de compra de ativos] irá atingir o seu limite em 2018. Isto são más notícias para Portugal, onde o limite do emitente [33% de aquisições] está próximo de ser atingido.”

Commerzbank

Está a tornar-se óbvio que o programa [de compra de ativos] irá atingir o seu limite em 2018. Isto são más notícias para Portugal, onde o limite do emitente [33% de aquisições] está próximo de ser atingido”, diz o Commerzbank, numa nota emitida ontem (8 de dezembro).

Tendo em conta estas circunstâncias, a instituição financeira germânica considera que a dívida portuguesa será uma das principais “vítimas” do desfecho da última reunião do BCE. “Há algumas vítimas óbvias dessas medidas, principalmente Portugal, atendendo a que o limite do emitente permanece inalterado”, complementa o commerzbank numa nota divulgada hoje, onde destaca os 20 pontos base que a taxa de juro da dívida portuguesa a dez anos escalou na última sessão, para fechar nos 3,75%.

O banco antecipa assim que os juros da dívida soberana continuarão a ser penalizados, com Portugal a manter-se em destaque pela negativa. “A pressão sobre os periféricos deverá ser retomada, com Portugal a ser o mais exposto, à medida que os mercados tomarem consciência que o quantitative easing chegará ao seu limite no início de 2018″, diz o Commerzbank esta manhã.

Os juros nacionais têm oscilado esta manhã entre subidas e quedas ligeiras. Depois de ter tocado um máximo de 3,849%, a ‘yield’ na maturidade a dez anos sobe 1,7 pontos base, para os 3,763%.

Recorde-se que o Commerzbank, esta quarta-feira, reconheceu os progressos feitos por Portugal, mas não descarta a hipótese de uma crise. O Commerzbank não acredita que a economia já esteja fora de perigo e relembra os problemas por resolver na banca.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.

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