BCP ultrapassa CGD com spread mais baixo da casa

Banco liderado por Nuno Amado desceu a margem mínima de spreads para 1,5%. Igualou o Santander Totta e bateu a oferta do banco público, mas também do Novo Banco, o último a descer o seu spread.

A guerra pela oferta do spread mais baixo no crédito da casa teve um novo capítulo. Desta vez, o papel de protagonista cabe ao BCP. O banco cortou a margem mínima exigida para conceder empréstimos à habitação. Trata-se também de uma resposta à concorrência direta, já que com essa revisão em baixa, o maior banco privado português passa a oferecer crédito à habitação com custos a partir de valores inferiores aos do banco público: a Caixa Geral de Depósitos.

O BCP tem agora em vigor um spread mínimo de 1,50%, abaixo dos anteriores 1,75%. Com esta mexida, o banco liderado por Nuno Amado passa a ter uma das ofertas mais competitivas no que respeita ao financiamento para a compra de casa. Apenas o Bankinter apresenta uma margem mínima mais baixa. O banco que herdou a banca de retalho do Barclays, em Portugal, disponibiliza crédito à habitação com spreads a partir de 1,25%.

Spreads da casa em 10 bancos

2016dez14_jbancos-01
Fonte: Preçários dos bancos

 

Com esta revisão em baixa, o BCP iguala ainda a margem mínima em vigor no Santander Totta e bate a concorrência direta. Nomeadamente, a CGD e o Novo Banco que cobram spreads mínimos de 1,75%. Já o BPI apresenta um leque de spreads que começam nos 1,95%.

Trata-se da primeira descida de spread por parte do banco liderado por Nuno Amado desde maio do ano passado, e a primeira revisão em baixa após os recentes cortes levados a cabo pelo Novo Banco e pelo BIC, em outubro. Dentro daquele intervalo de tempo foram vários os bancos a diminuir o preço mínimo que cobram para emprestar dinheiro para a compra de casa. Um movimento que leva a que neste momento, entre os 10 principais bancos na concessão de crédito à habitação em Portugal, todos ofereçam spreads inferiores a 2%.

Novo crédito a crescer

As recentes revisões em baixa, são mais um sinal de que o setor financeiro está cada vez mais disponível para emprestar dinheiro, cumprindo a ordem do Banco Central Europeu. Ou seja, os bancos libertarem liquidez no mercado, de forma a ajudar a empurrar a débil economia europeia, tendo para tal a instituição liderada por Mario Draghi colocado a taxa de juro de referência da Zona Euro num mínimo nunca antes visto de 0%.

Crédito à habitação concedido em 2016

Fonte: Banco de Portugal
Fonte: Banco de Portugal (valores em milhões de euros)

Os montantes da novo crédito concedido com a finalidade de aquisição de casa comprovam a eficácia dessa política. Os últimos dados do Banco de Portugal, disponibilizados esta semana, indicam que foram concedidos 456 milhões em outubro. E nos 10 primeiros meses deste ano, os bancos concederam um total de 4.629 milhões de euros em empréstimos para a compra de casa. Mais 48% face aos 3.131 milhões de euros concedidos em igual período do ano passado. 2016 é já o ano em que os concederam mais empréstimos para a compra de casa desde 2010.

Apesar do crescimento da nova concessão, pelo contrário, o bolo total do crédito à habitação continua a diminuir, o que significa que o novo crédito à habitação que tem sido concedido não é suficiente para cobrir os empréstimos com essa finalidade que entretanto têm vencido. No final de outubro, os portugueses detinham 94.907 milhões de euros em crédito à habitação. Trata-se do valor mais baixo desde abril de 2007. Ou seja, há nove anos.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

BCP ultrapassa CGD com spread mais baixo da casa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião