BCP ultrapassa CGD com spread mais baixo da casa

Banco liderado por Nuno Amado desceu a margem mínima de spreads para 1,5%. Igualou o Santander Totta e bateu a oferta do banco público, mas também do Novo Banco, o último a descer o seu spread.

A guerra pela oferta do spread mais baixo no crédito da casa teve um novo capítulo. Desta vez, o papel de protagonista cabe ao BCP. O banco cortou a margem mínima exigida para conceder empréstimos à habitação. Trata-se também de uma resposta à concorrência direta, já que com essa revisão em baixa, o maior banco privado português passa a oferecer crédito à habitação com custos a partir de valores inferiores aos do banco público: a Caixa Geral de Depósitos.

O BCP tem agora em vigor um spread mínimo de 1,50%, abaixo dos anteriores 1,75%. Com esta mexida, o banco liderado por Nuno Amado passa a ter uma das ofertas mais competitivas no que respeita ao financiamento para a compra de casa. Apenas o Bankinter apresenta uma margem mínima mais baixa. O banco que herdou a banca de retalho do Barclays, em Portugal, disponibiliza crédito à habitação com spreads a partir de 1,25%.

Spreads da casa em 10 bancos

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Fonte: Preçários dos bancos

 

Com esta revisão em baixa, o BCP iguala ainda a margem mínima em vigor no Santander Totta e bate a concorrência direta. Nomeadamente, a CGD e o Novo Banco que cobram spreads mínimos de 1,75%. Já o BPI apresenta um leque de spreads que começam nos 1,95%.

Trata-se da primeira descida de spread por parte do banco liderado por Nuno Amado desde maio do ano passado, e a primeira revisão em baixa após os recentes cortes levados a cabo pelo Novo Banco e pelo BIC, em outubro. Dentro daquele intervalo de tempo foram vários os bancos a diminuir o preço mínimo que cobram para emprestar dinheiro para a compra de casa. Um movimento que leva a que neste momento, entre os 10 principais bancos na concessão de crédito à habitação em Portugal, todos ofereçam spreads inferiores a 2%.

Novo crédito a crescer

As recentes revisões em baixa, são mais um sinal de que o setor financeiro está cada vez mais disponível para emprestar dinheiro, cumprindo a ordem do Banco Central Europeu. Ou seja, os bancos libertarem liquidez no mercado, de forma a ajudar a empurrar a débil economia europeia, tendo para tal a instituição liderada por Mario Draghi colocado a taxa de juro de referência da Zona Euro num mínimo nunca antes visto de 0%.

Crédito à habitação concedido em 2016

Fonte: Banco de Portugal
Fonte: Banco de Portugal (valores em milhões de euros)

Os montantes da novo crédito concedido com a finalidade de aquisição de casa comprovam a eficácia dessa política. Os últimos dados do Banco de Portugal, disponibilizados esta semana, indicam que foram concedidos 456 milhões em outubro. E nos 10 primeiros meses deste ano, os bancos concederam um total de 4.629 milhões de euros em empréstimos para a compra de casa. Mais 48% face aos 3.131 milhões de euros concedidos em igual período do ano passado. 2016 é já o ano em que os concederam mais empréstimos para a compra de casa desde 2010.

Apesar do crescimento da nova concessão, pelo contrário, o bolo total do crédito à habitação continua a diminuir, o que significa que o novo crédito à habitação que tem sido concedido não é suficiente para cobrir os empréstimos com essa finalidade que entretanto têm vencido. No final de outubro, os portugueses detinham 94.907 milhões de euros em crédito à habitação. Trata-se do valor mais baixo desde abril de 2007. Ou seja, há nove anos.

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