Depósitos: CGD foi o banco que mais cortou nos juros no último ano

Juros dos depósitos a prazo não param de cair, um movimento que é encabeçado pelo banco público. A remuneração do melhor depósito a um ano da CGD caiu em dois terços no último ano.

Os bancos estão cada vez menos generosos na hora de remunerar as poupanças das famílias portuguesas. De mês para mês, são várias as instituições financeiras que cortam a remuneração dos seus depósitos a prazo, levando a taxa de juro média deste tipo de aplicações a bater mínimos históricos consecutivos. Este movimento está a ser encabeçado pelo banco público. No último ano, a Caixa Geral de Depósitos foi, entre as maiores instituição financeira nacionais, a que mais baixou os juros das poupanças.

Esta conclusão surge da comparação entre a remuneração oferecida pelo depósito a um ano atualmente mais generoso, em cada um dos oito maiores bancos a operar em Portugal, face àquela que era oferecida há 12 meses pelo mesmo produto. Dessa análise, verifica-se que foi a Caixa que, nesse espaço de tempo, mais baixou, em termos proporcionais, a taxa de juro oferecida pelo seu depósito a um ano mais generoso. Em causa está o “Depósito Caixa 1 ano”, que paga atualmente uma taxa de juro anual bruta (TANB) de 0,1%. Este valor representa uma quebra de dois terços face à remuneração que era oferecida pela mesma aplicação há um ano. Segundo o preçário de dezembro do ano passado da CGD, a taxa de juro deste depósito era de 0,35%, em termos brutos.

Maiores diferenciais de juros estão na CGD e no Popular

Fonte: Preçários dos bancos (Comparação entre os depósitos a um ano com a remuneração mais elevada, para montante até 5 mil euros)
Fonte: Preçários dos bancos (Comparação entre os depósitos a um ano com a remuneração mais elevada, para montante até 5 mil euros)

O Banco público é também um dos menos generosos na hora de remunerar as aplicações a prazo dos seus clientes. A taxa de 0,1% iguala a do Santander Totta e é apenas mais elevada do que a disponibilizada pelo BPI: 0%. Aliás, o banco liderado por Fernando Ulrich paga 0% na maior parte dos depósitos que compõem a sua oferta. No prazo a um ano, existem apenas dois depósitos em que é possível alcançar algum retorno no BPI.

Contudo, para tal é necessário que o montante depositado seja superior a 50 mil euros e que sejam subscritos alguns produtos ou serviços do banco (quatro ou seis produtos), entre um conjunto de opções que abrangem, por exemplo, a domiciliação de ordenado, planos de entregas mensais do mínimo de 100 euros para contas de poupança ou a subscrição de seguros. A recompensa dessa venda cruzada é a oferta de uma taxa de juro bruta na melhor das hipóteses de 0,15% num depósito a um ano: o “DP valor 6”.

Entre o conjunto de instituições financeiras que, entre o final de 2015 e de 2016, mais baixaram em proporção a remuneração oferecida nos seus depósitos a um ano inclui-se também o Popular. O banco espanhol baixou em quase metade a taxa de juro oferecida no depósito a prazo “Ouro Plus”, que passou de 0,6% no final do ano passado, para 0,25%.

O ranking das maiores quebras de retornos inclui também o Montepio. A instituição financeira liderada por Félix Monteiro cortou para quase metade a remuneração oferecida pelo seu depósito a um ano mais generoso. Em concreto, o “depósito a 1 ano não mobilizável”, cuja remuneração bruta baixou de 0,9%, em dezembro de 2015, para 0,5% no corrente mês.

Apesar desse corte o Montepio é uma das instituições financeiras de maior dimensão a operar em Portugal mais generosas. A remuneração do seu melhor depósito a um ano iguala a oferecida pelo concorrente “NBnet 360” do Novo Banco. De salientar que o banco que está nas mãos do fundo de resolução, pela sua especificidade, se tem esforçado por manter o volume de depósitos, disponibilizando para tal uma oferta competitiva neste âmbito.

No leque dos oito bancos considerados, o BCP é a única instituição financeira a apresentar um aumento da remuneração do seu melhor depósito a um ano. A taxa de juro do “Net Millennium Flexível” subiu de 0,1% (assumindo aplicação até cinco mil euros) no final de 2015, para os atuais 0,15%. Um aumento que, contudo, é feito em sacrifício da remuneração dos montantes mais elevados. Enquanto há um ano o banco liderado por Nuno Amado oferecia neste produto um leque de taxas entre um mínimo de 0,1%, para aplicações inferiores a oito mil euros, e um máximo de 0,6% para quantias entre 100 mil e 20 mil euros, uniformizou a taxa de juro para 0,15%.

Dinheiro à borla do BCE

Certo é que os bancos nunca foram tão pouco generosos na remuneração do produto de poupança de eleição dos portugueses como agora. Os últimos dados do Banco de Portugal, indicam que remuneração oferecida nos novos depósitos a prazo atingiu, em outubro, um novo mínimo histórico. Nesse mês, a taxa de juro média das novas aplicações fixou-se nos 0,34%, abaixo dos 0,35% oferecidos pelos bancos no mês anterior, naquele que é o retorno mais baixo desde o ano 2000, período a que remonta o histórico da entidade liderada por Carlos Costa.

Juros em queda desde 2011

Fonte: BCE
Fonte: BCE

Os juros oferecidos nas novas poupanças são uma pequena parcela face aos valores que aconteciam em 2011, período em que os bancos chegaram a oferecer taxas de juro médias acima da fasquia dos 4,5%. A realidade da banca era, contudo, bastante diferente. As instituições financeiras precisavam de aumentar o “bolo” dos seus depósitos como forma de equilibrar os seus rácios.

A tendência de quebra das remunerações dos depósitos a prazo acompanha o rumo descendente das Euribor, que se mantêm em valores negativos. Mas esta também decorre do desinteresse dos bancos em captar recursos, num altura em que reequilibraram os seus rácios e em que o Banco Central Europeu cede liquidez ilimitada. Tendo em conta essa realidade, a prioridade dos bancos passa agora por maximizar os seus proveitos pela via das comissões.

Esta realidade faz com que aquela que tradicionalmente sempre foi a solução de poupança preferida pelos portugueses esteja a perder brilho. Os últimos dados do Banco de Portugal mostram que os montantes dos depósitos não param de cair. O valor total aplicado nesta classe de produtos recuou em outubro pelo terceiro mês consecutivo, encolhendo em mais de 2,6 mil milhões de euros. Seria preciso recuar até 2012 para encontrar um ciclo de resgates de depósitos tão expressivo.

Os portugueses tinham aplicados 142.745 milhões de euros em depósitos à ordem e a prazo, em outubro. Trata-se do valor mais baixo desde maio, sendo que este mês marca também o pior ciclo de perda de dinheiro para este tipo de aplicações dos últimos quatro anos. Entre agosto e outubro, os depósitos “emagreceram” em 2.623 milhões de euros.

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