Bundesbank: BCE não deve ter medo de subir juros

O presidente do Bundesbank receia que o BCE perca o controlo da política monetária da Zona Euro perante um cenário de subida da inflação.

O Bundesbank voltou a mostrou-se crítico em relação à política monetária levada a cabo pelo Banco Central Europeu, alertando que a entidade liderada por Mario Draghi não deve ter medo de subir os juros. O alerta foi deixado pelo presidente do banco central germânico, em declarações à revista de negócios Wirtschaftwoche (acesso grátis).

Jens Weidmann, considera que a entidade liderada por Mario Draghi, arrisca-se a perder o controlo da política monetária perante um cenário de inflação, incentivando o líder a BCE a não ter medo de subir perante um cenário de subida dos preços. O responsável do Bundesbank, que é uma das vozes mais críticas à atuação do BCE, afirmou temer que uma “política orçamental inadequada” seria o banco central da Zona Euro manter as taxas de juro em mínimos históricos quando “um aperto seria o apropriado”.

Jens Weinmann afirmou ainda à publicação alemã que o verdadeiro “teste decisivo” para o BCE ocorrerá quando “se tornar claro que a política monetária tiver de ser normalizada para fazer face à evolução dos preços”.

Em março deste ano, a entidade responsável pela política monetária da Zona Euro reduziu a taxa de juro de referência para o mínimo histórico de 0%, tendo ainda já comprado mais de um bilião de euros em dívida soberana e privada durante um período de 20 meses, perante os fracos níveis de inflação. Entretanto, na reunião de dezembro, o BCE prolongou o programa de compra de ativos até final de 2017, tendo cortado em 20 mil milhões o valor mensal das aquisições a partir de abril do próximo ano. Contudo, a entidade liderada por Mario Draghi não mexeu na taxa de juro diretora.

Perante a subida da inflação nos próximos dois anos, o responsável pelo Bundesbank afirmou ainda que o BCE deve manter o seu mandato no sentido da estabilidade dos preços e “não ter medo [de subir juros] perante os desenvolvimentos dos mercados financeiros e das condições de financiamento dos devedores públicos”.

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