BCE fecha hoje compras de dívida em 2016, juros portugueses nos 3,7%

Programa de compra de ativos do banco central vai hibernar durante a quadra natalícia. Se o BCE tiver mantido ritmo, em dezembro terá comprado mais mil milhões em dívida portuguesa.

Depois do dia de hoje, só em 2017. O Banco Central Europeu (BCE) vai esta quarta-feira ao mercado de dívida dos governos europeus pela última vez em 2016, deixando o programa de compra de ativos públicos (PSPP, sigla em inglês) em pausa durante a quadra festiva do Natal e Ano Novo.

Se a bazuca de Mario Draghi mantiver a intensidade dos últimos meses, o BCE terá engordado o seu balanço com mais mil milhões de euros em dívida nacional, elevando para cerca de 25 mil milhões de euros a sua exposição às obrigações portuguesas.

Isto acontece num dia de aparente tranquilidade no mercado secundário nacional, com a taxa das obrigações a 10 anos, a referência no mercado, a ceder quatro pontos base para os 3,7%. Mas as quedas nos juros portugueses estendiam-se a todas as maturidades.

O quantitative easing tem sido fundamental para controlar os juros portugueses. Se não fosse o chamado “efeito BCE”, Portugal estaria neste momento a pagar acima de 5% de juros. Esta seria a taxa de juro justa, tendo em conta os fundamentais da economia, em vez dos atuais juros em torno de 3,7% que a República está a pagar.

A pressão dos mercados de dívida está a preocupar a equipa das Finanças. O BCE já prolongou o programa de estímulos até final do próximo ano, tendo decidido por uma redução do ritmo de compras mensais a partir de abril, dos atuais 80 mil milhões para os 60 mil milhões de euros.

Mas a possibilidade de se esgotar os títulos de dívida nacionais elegíveis para o banco central, depois de Mario Draghi e os membros do Conselho de Governadores não terem flexibilizado as regras de acesso ao programa, coloca Portugal no mapa dos investidores internacionais como principal vítima da última reunião do BCE.

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