A viagem do banco mais antigo do mundo até ao resgate

  • Ana Luísa Alves
  • 23 Dezembro 2016

São mais de 500 anos de história e de acontecimentos que marcaram o melhor e o pior do banco mais antigo do mundo que agora está a ser alvo de um resgate.

O Monte dei Paschi, não tem vivido dias fáceis. Falhou no objetivo de angariar 5.000 milhões de euros junto de investidores privado, vendo-se forçado a recorrer à ajuda estatal. Itália tem 20 mil milhões para o setor financeiro já reservados.

O plano para a banca começou a ser traçado ainda este mês, depois de os eleitores italianos terem rejeitado o referendo que resultou na demissão do primeiro-ministro Matteo Renzi. E é agora posto em prática com o resgate do banco mais antigo do mundo.

O resgate é um dos momentos que marcam os 500 anos de existência do banco italiano. Com base em dados da Bloomberg, o ECO selecionou alguns dos momentos-chave. Conheça-os:

  • 1472 – O estado toscano de Siena estabelece o Monte Pior depois da peste negra ter levado à morte de metade da sua população.
  • 1624 – Depois de Siena passar a fazer parte do Grande Ducado da Toscana, o banco alterou o seu nome para Monte dei Paschi, o que quer dizer instituição financeira que concede empréstimos para a pastorícia.
  • 1936 – Sob o regime fascista de Mussolini, o banco torna-se uma instituição controlada pelas autoridades locais e algum do seu lucro passa a ser usado para financiar atividades como as corridas de cavalos.
  • 1995 – O banco divide-se em duas entidades distintas: Banca Monte dei Paschi di Siena SpA e a Fondazione Monte dei Paschi di Siena, uma fundação sem fins lucrativos.
  • 1999 – As ações do banco estreiam-se na bolsa italiana por 3,85 euros cada. A procura pelos títulos do banco excedeu em 10 vezes a oferta.
  • Janeiro 2013 – A Bloomberg anuncia que o Monte dei Paschi usou dois mil milhões de euros derivados do Deutsche Bank para ocultar perdas, o que origina uma série de investigações criminais ao banco.
  • Fevereiro 2013 – O banco recebeu uma ajuda estatal de 4,07 mil milhões de euros.
  • Novembro 2013 – A União Europeia aprova a reorganização do plano para o banco italiano relativamente ao resgate do Estado: a venda de ações no valor três mil milhões de euros e o corte de oito mil postos de trabalho.
  • Outubro/novembro 2014 – Monte dei Paschi falha os testes de stress do Banco Central Europeu, tornando-se o banco com os menores rácios de capital entre os bancos europeus.
  • Janeiro/fevereiro 2016 – As ações do banco deslizam 61% devido à onda de vendas no setor financeiro europeu.
  • Junho 2016 – Itália inicia conversações com a Comissão Europeia para um plano de recapitalização do banco mais antigo do mundo que poderá envolver fundos públicos.
  • 4 de julho 2016 – Monte dei Paschi divulga o pedido do Banco Central Europeu para cortar 10 mil milhões de euros no crédito malparado em três anos. Este montante equivale a 40% do total de créditos em incumprimento.
  • 25 de outubro – Depois de ter sido nomeado para CEO em setembro, Marco Morelli inicia uma série de apresentações pelo mundo para tentar atrair investidores para o banco. Ao longo de seis semanas encontra-se com possíveis investidores no Qatar, Nova Iorque e na Europa.
  • 4 de dezembro – Os italianos rejeitam o referendo. O primeiro-ministro, Matteo Renzi, cumpre a promessa e abandona o cargo no seguimento do referendo, abalando o setor financeiro italiano nos mercados.
  • 8 de dezembro – O banco italiano pede ao Banco Central Europeu mais tempo para completar a reestruturação, sugerindo que Morelli não consegue arranjar investidores suficientes. O BCE rejeita. As ações afundam.
  • 23 de dezembro – Depois de o Governo ter aprovado um pacote de 20 mil milhões para a banca, o Monte dei Paschi anuncia que fracassou na captação de novos investidores. Pede acesso a uma linha “cautelar”. Itália diz sim.

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