Brexit pode trazer “novas oportunidades” diz ex-governador do Banco de Inglaterra

  • Ana Luísa Alves
  • 26 Dezembro 2016

Ao contrário do Brexit difícil antecipado por muitos, o ex-governador do Banco de Inglaterra considera que a saída da União Europeia pode trazer novas oportunidades para o Reino Unido.

A parte difícil do Brexit pode resumir-se à perda do acesso ao mercado único europeu, segundo disse Mervyn King, ex-governador do Banco de Inglaterra à rádio inglesa BBC, citado pelo The Guardian. Para King, o Brexit é também sinónimo de um conjunto de oportunidades económicas para o Reino Unido.

Mervyn King tem sido uma das vozes otimistas sobre a saída da União Europeia, ainda que o Brexit “traga um conjunto de dificuldades políticas associadas” e não seja, de todo, um “mar de rosas”, cita o jornal inglês.

O ex-governador do Banco de Inglaterra, que esteve à frente do banco entre 2003 e 2013, disse que o Reino Unido devia deixar o mercado único europeu, e alertou para as “dúvidas reais” se deve ou não tentar manter o país na união aduaneira, que limitaria a sua capacidade de estabelecer os seus próprios acordos comerciais.

O gabinete de Theresa May está dividido sobre as questões relativas ao mercado único da União, com os ministros a favor do Brexit a apelarem a um “divórcio amigável” e outros ministros a alertarem May para os perigos económicos de o Reino Unido se separar dos principais parceiros comerciais.

Desde a votação do Brexit a libra perdeu o valor e as principais entidades financeiras ponderaram relocalizar as suas operações financeiras fora da City. Ainda assim, King disse esta segunda-feira que “o Reino Unido pode vir a tornar-se ainda melhor”, e que nesta situação “há muitas oportunidades”.

“Estar fora daquilo que é comummente aceite como um projeto sem sucesso da União Europeia, sobretudo em sentido económico, dá-nos oportunidades e ao mesmo tempo grandes dificuldades políticas”, referiu King, citado pelo The Guardian.

O ex-governador do Banco de Inglaterra acrescentou ainda que não faz sentido para o Reino Unido integrar o mercado único como um país não-membro, como a Noruega, o que permitiria o acesso livre ao mercado e, provavelmente, a livre circulação dos cidadãos europeus.

King falou ainda sobre as políticas de imigração, que devem ser definidas pelo Governo agora do que “tarde demais”. “A imigração não deve ser discutida nas negociações do artigo 50, no próximo ano, será um erro se não for discutida agora”, acrescentou Mervyn King.

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