Costa visita a Índia à procura de investimentos

  • ECO e Lusa
  • 6 Janeiro 2017

Efacec, da Brisa ou da Visabeira são as pontes que António Costa vai usar para melhorar as "incipientes" relações comerciais com a Índia. Costa inicia este sábado uma visita oficial à Índia.

Um dos principais objetivos da visita de seis dias que o primeiro-ministro inicia no sábado na Índia é promover um novo “salto” na cooperação económico-comercial entre os dois países, cujas relações neste domínio são consideradas incipientes.

António Costa, o Governo português tem entre as suas principais metas tirar partido da presença de algumas empresas nacionais já a operar em território indiano (casos da Efacec, da Brisa ou da Visabeira) para ampliar a sua penetração neste mercado.

Fonte do executivo nacional adiantou também que um segundo objetivo passa pelo estabelecimento de parcerias com empresas indianas, tendo em vista a entrada em mercados do sudeste asiático ou da África Oriental, onde a Índia já tem forte presença.

O Governo português tem neste capítulo especiais expectativas no que respeita a empresas portuguesas das áreas do ambiente (saneamento, recolha de lixo e abastecimento de água), da defesa (a Índia é um dos principais compradores mundiais de armamento) e startups.

As ‘startups’ indianas já tiveram uma forte presença na última Web Summit em Lisboa, em novembro passado. Agora, no Instituto Universitário de Bangalore, na segunda-feira, juntamente com o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, António Costa participa num evento dedicado às ‘statup’, ocasião em que será assinado um memorando entre a MoU Statup Portugal e a Invest Índia.

Para o primeiro-ministro, a relação secular entre Portugal e a Índia “deve fundar-se agora numa parceira com duas dimensões novas: a economia e da ciência”. “Essas vão ser as duas prioridades desta viagem. Na área da ciência, por exemplo, vamos visitar a agência espacial e o Instituto de Tecnologia de Bangalore. Teremos ainda uma agenda muito intensa na área da economia. Portugal e Índia são dois países cujas economias querem percorrer em conjunto este século”, acrescentou, a meio do seu voo entre Lisboa e Nova Deli, durante uma escala em Frankfurt, na Alemanha.

Ao longo dos seis dias de presença na Índia, o primeiro-ministro português terá intervenções em dois seminários económicos (em Bangalore e Ahmedabad), numa conferência logo no primeiro dia de programa em Deli, e terá em Goa um encontro com empresários de Bollywood, aqui numa tentativa para captar para Portugal investimentos desta importante indústria cinematográfica.

Além da componente cinematográfica, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, terá igualmente vários contactos ao longo da semana para procurar atrair turistas da Índia para Portugal, que ainda são em número considerado muito reduzido.

Relações incipientes

Índia e Portugal estiveram 12 anos com relações diplomáticas cortadas, até ao 25 de Abril de 1974, depois da invasão militar dos territórios do então Estado Português da Índia em dezembro de 1961.

Já no período da democracia portuguesa, em 1992, o então Presidente da República Mário Soares fez a primeira visita de Estado à Índia com o objetivo de “normalizar” as relações políticas, económicas e culturais entre os dois países, seguindo-se uma segunda de Cavaco Silva, em 2007, durante a qual se procurou sobretudo dinamizar as relações comerciais.

No entanto, mesmo sendo a Índia uma das principais potências emergentes a nível mundial, a verdade é que Portugal continua a possuir com o Estado moderno indiano relações económico-comerciais consideradas “incipientes” – um resultado cuja explicação radica em grande medida no atribulado período que marcou as últimas décadas da História colonial portuguesa.

Com a Índia a crescer 7,7% no ano passado, e com uma relevante comunidade indiana residente em território nacional, Portugal apenas exportou em 2015 cerca de 80 milhões de euros.

Portugal tem balança comercial deficitária

Com a Índia a crescer 7,7% no ano passado, e com uma relevante comunidade indiana residente em território nacional, Portugal apenas exportou em 2015 cerca de 80 milhões de euros. As exportações de bens portugueses para a Índia subiram 18,5% até outubro do ano passado, face a igual período de 2015, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Em igual período, as importações de bens indianos avançaram 12,3% para 426,1 milhões de euros, o que representa um saldo negativo da balança comercial de 350,3 milhões de euros para Lisboa.

No ano passado, a Índia era o 46º cliente de Portugal e o seu 17º fornecedor. Já Lisboa era o 58º cliente de Nova Deli e o seu 106º como fornecedor, números aos quais também não são estranhos o conjunto de medidas de tendência protecionista adotadas pela Índia ao longo das últimas décadas. O número de empresas exportadoras ascendia a 613 em 2015, o que compara com 506 em 2011.

Entre 2011 e 2015, as exportações de bens para Nova Deli caíram 1,6% e as importações aumentaram 1,8%.

Entre os produtos mais exportados para a Índia constam as máquinas e aparelhos (22% do total das vendas para aquele país em 2015), os metais comuns (16,4%), os minerais e minérios (10,8%), os plásticos e borracha (10,3%) e químicos (8,7%). As vendas de máquinas e aparelhos caíram 27,7% em 2015, face ao ano anterior, para 17,4 milhões de euros, enquanto as de metais comuns subiram 1,7% para 13 milhões de euros.

Também as exportações de minerais e minérios avançaram 28,2% no período em análise, para 8,5 milhões de euros, mas as de plásticos e borrachas diminuíram 11,6% para 8,1 milhões de euros.

No caso das importações de produtos indianos, as matérias têxteis lideram os bens mais comprados (peso de 30,3%), seguidas das agrícolas (12,4%), metais comuns (11,9%), químicos (10,4%) e plásticos e borrachas (7,9%).

Em 2015, as compras de matérias têxteis desceram 2,8% para 139,3 milhões de euros e as agrícolas subiram 3% para 56,9 milhões de euros.

As compras de metais comuns subiram 16,1% para 54,5 milhões de euros, as de químicos progrediram 3,6% para 47,6 milhões de euros, enquanto as de plásticos e borracha diminuíram 21,2% para 36,1 milhões de euros.

Já as exportações de serviços de Lisboa para Nova Deli subiram 30,4% em 2015, face a 2014, para 37,4 milhões de euros, enquanto as importações desceram ligeiros 0,6% para 84,5 milhões de euros, com o saldo da balança comercial negativo para Portugal em 47,1 milhões de euros.

Entre 2011 e 2015, as exportações de bens e serviços para a Índia subiram 2,8% e as importações cresceram 1,5%.

As exportações de bens e serviços totalizaram 113 milhões de euros em 2015, menos 4,4% do que em 2014, e as importações atingiram 454,8 milhões de euros, uma descida de 5,2%.

As receitas provenientes de turistas indianos em Portugal na hotelaria ascenderam a 10,1 milhões de euros em 2015, uma subida de 97,8% face ao ano anterior.

Artigo atualizado com as declarações do primeiro-ministro

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