Marques Mendes: “Posição do PSD sobre TSU é monumental erro”

  • Margarida Peixoto
  • 15 Janeiro 2017

No seu comentário semanal no Jornal da Noite da Sic, Luís Marques Mendes criticou duramente a posição do PSD sobre a descida da TSU. Comentador garante que é um "monumental erro".

“A posição do [PSD sobre a TSU] é incompreensível. É um monumental erro e vamos ver se não é o maior erro de Passos Coelho”, defendeu o comentador Luís Marques Mendes, no seu comentário semanal, no Jornal da Noite, na Sic, este domingo.

Se o presidente do PSD não recuar e ajudar a chumbar a descida da TSU, Passos Coelho “mata este acordo e a concertação social para o futuro”, avisou o comentador, que prevê “um mês de polémica dura.”

A baixa da TSU foi decidida no âmbito do acordo de concertação social, fechado a 22 de dezembro, que previu o aumento do salário mínimo para 557 euros. Depois de os partidos da esquerda terem anunciado que vão pedir a apreciação parlamentar do decreto-lei — assim que seja publicado em Diário da República — Passos Coelho avisou que vai votar ao lado da esquerda, permitindo o chumbo da medida.

Marques Mendes juntou-se ao cada vez maior número de críticos da decisão do presidente do PSD e defendeu que esta é “incompreensível” e assumiu que poderá ser “o maior erro de Passos Coelho”. Para o comentador, é claro que o Governo e o PS vão aproveitar a polémica para desgastar o PSD e a oposição.

O comentador, enumerou as suas razões para estar contra a decisão de Passos Coelho:

1 – Contradiz a posição histórica do PSD

“O PSD é o partido que historicamente mais valoriza a concertação social”, defendeu Marques Mendes. Daí que, ao votar contra esta medida, que foi decidida por acordo da concertação social, “mata a concertação”, continuou. “É matar a história do PSD”.

2 – PSD tinha defendido a importância da concertação social

Marques Mendes recordou que há cerca de um ano, quando António Costa esteve para ser empossado, Cavaco Silva colocou um conjunto de condições a António Costa, “que o PSD muito aplaudiu”. A condição era que valorizasse a concertação social. “Um ano depois vê-se que é o PSD a desprezar a concertação social e o PS a defendê-la.”

3 – É incoerente

“É uma grande incoerência do PSD”, criticou Marques Mendes. E recordou em que em 2012 “o PSD foi um grande defensor da descida da TSU”, lembrou que em 2014 o Governo de Passos “também assinou um decreto a descer a TSU”. E, por isso, “isto parece o futebol na política. Isto é mau porque a política não é um jogo.”

Além disso, continuou o comentador, “em 2016 houve uma situação em tudo igual à que agora está em causa”, em que PSD se absteve. “São os mesmos deputados”, frisou, para depois defender: “Passos Coelho devia dar uma justificação sobre estas incompreensões e incoerências. Parece que o PSD de Passos Coelho é um cata-vento.”

4 – Marco António Costa tinha apoiado a medida

Na reação ao acordo conseguido por Vieira da Silva, o vice-presidente Marco António Costa não só não criticou a iniciativa, como defendeu até o seu alargamento às IPSS, em declarações ao Observador.

E como avalia a posição do Governo?

Para Marques Mendes, o Governo tem “um mérito e uma fragilidade”. O mérito é que “conseguiu fazer um acordo que era muito importante para o país”. Mas a fragilidade é que “devia ter acautelado que as medidas que precisam de tradução legislativa seriam aprovadas.” “O Governo devia ter falado com todos os partidos. Isso não aconteceu”, notou.

Marques Mendes adiantou ainda que o Governo vai enviar amanhã o decreto-lei que baixa a TSU para a Presidência da República.

PSD devia era preocupar-se com juros da dívida

“Em vez de se preocupar com as incoerências da TSU”, o PSD devia era preocupar-se “com os juros da dívida”, defendeu Marques Mendes. O comentador defendeu que a última emissão de dívida da República foi feita com um juro “muito mau” e comparou a evolução dos juros das Obrigações do Tesouro português, com as da Irlanda e de Espanha. Marques Mendes frisou que tanto a Irlanda como Espanha tiveram uma redução de juros, enquanto em Portugal estes subiram.

“A conjuntura externa é a mesma para Portugal, Irlanda e Espanha. Isto é um problema de falta de confiança” em Portugal, argumentou.

“Discordo da nacionalização”

Sobre a polémica de nacionalizar ou não o Novo Banco, Marques Mendes colocou-se contra a nacionalização, lembrando os custos do BPN. Frisou que nacionalizar “prejudica a imagem de Portugal”, “afeta as contas públicas” e tem “prejuízos”, chegando ao ponto de inviabilizar a saída do Procedimento por Défices Excessivos, garantiu.

Além disso, defendeu que “Governo e Banco de Portugal estiveram muito bem em traçar linhas vermelhas”, garantindo “não vender com risco para as contas públicas”.

Uma opção poderá ser “prolongar a situação no Fundo de Resolução por mais tempo” — já que “a lei permite e Bruxelas pode ser que também” — ou aproveitar “para criar o banco mau”, defendeu. Mas avisou: “Não vamos ter nenhuma boa solução, vamos escolher entre a menos má. Mas a nacionalização é a que tem mais vícios de todas.”

PSD convidou José Eduardo Moniz para Lisboa

Marques Mendes revelou ainda que José Eduardo Moniz foi o último a ser convidado por Passos Coelho para concorrer nas eleições autárquicas: “Aparentemente está em reflexão ou já disse que não. Já não sei se é o segundo se o terceiro a dizer que não.”

O comentador defendeu que o “PSD faz bem em ter um candidato próprio, mas faz mal em demorar”, porque “cada vez que demora mais tempo, perde alguma coisa.”

Nas notas finais, e já depois de ter elogiado as cerimónias fúnebres de Mário Soares, de ter saudado ao aumento de capital do BCP e o congresso de jornalistas, deixou uma última crítica: “Há 15 dias a CGD está sem presidente. Ninguém no Governo dá uma palavra de explicação e ninguém na oposição faz uma pergunta”. E rematou: “É a anormalidade transformada em normalidade.”

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