FMI espera mais crescimento mundial, mas teme efeito Trump

  • Margarida Peixoto
  • 16 Janeiro 2017

O Fundo Monetário Internacional espera que o crescimento mundial acelere em 2017 e 2018. Mas avisa que o efeito Trump pode ser maior do que o previsto e comprometer as projeções.

Há sempre um grau de incerteza em todas as projeções macroeconómicas. Mas desta vez o Fundo Monetário Internacional (FMI) assume que está a trabalhar sobre areias movediças. A eleição da administração Trump, nos Estados Unidos, pode virar as expectativas ao contrário e deitar por terra os números divulgados esta segunda-feira.

O FMI espera que o crescimento mundial acelere ligeiramente em 2017 e 2016, passando do crescimento de 3,1% registado em 2016, para 3,4% em 2017 e 3,6% em 2018. Estas estimativas, reveladas na atualização do World Economic Outlook, estão inalteradas face aos números que tinham sido avançados em outubro. Esta publicação atualiza apenas as projeções para as principais regiões económicas, não avançando dados novos sobre Portugal. Para consultar as projeções do FMI para a economia nacional, veja aqui.

"Esta previsão é particularmente incerta, tendo em conta as alterações de política dos Estados Unidos, sob a nova administração.”

FMI

World Economic Outlook, atualização de janeiro

Mas desengane-se quem pense que esta estabilidade na previsão representa qualquer grau acrescido de certezas. Desta vez, bem pelo contrário: “Esta previsão é particularmente incerta, tendo em conta as alterações de política dos Estados Unidos, sob a nova administração”, lê-se no relatório.

Esta ressalva é válida especificamente para as economias avançadas, mas não só. Tendo em conta que esta é uma componente fundamental do crescimento mundial, toda a previsão sofre de um grau elevado de incerteza. “Há uma grande dispersão de resultados possíveis das projeções [para o crescimento mundial], dada a incerteza em torno da orientação política da nova administração dos Estados Unidos e as suas ramificações globais”, frisam ainda os peritos do FMI.

A explicar toda a incerteza está o facto de o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, prometer um estímulo orçamental mais elevado no curto prazo. Se os planos se concretizarem, os EUA podem acelerar mais depressa do que o esperado, justificando uma retirada dos estímulos da política monetária conduzida pela Reserva Federal norte-americana de forma menos progressiva do que o atualmente esperado.

Além disso, também há o risco forte de Trump introduzir políticas protecionistas, com limitações à circulação de bens e de pessoas. Esta orientação de política é negativa para o crescimento mundial e para o sentimento económico, defende o FMI.

Feitas as ressalvas, o que se espera?

As economias avançadas deverão crescer ligeiramente acima face ao que era esperado na projeção de outubro. O FMI estima um crescimento de 1,6% em 2016, que acelera para 1,9% em 2017 e 2% em 2018. Os Estados Unidos destacam-se pela positiva, com uma expectativa de crescimento de 2,3% este ano, que compara com apenas 1,6% na zona euro.

De entre as maiores economias da moeda única, Espanha destaca-se com a previsão de crescimento mais elevada (2,3%), embora represente, ainda assim, um abrandamento face ao valor que se estima para 2016 (3,2%). Já Itália sobressai pelo fraco crescimento (0,7%).

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WEO update, janeiro 2017

Já no que toca aos mercados emergentes e às economias em desenvolvimento, as perspetivas não melhoraram face a outubro, mas continuam a ser as principais responsáveis pelo aumento do crescimento mundial. Em 2017 deverão crescer 4,5%, acima dos 4,1% registados em 2016. No próximo ano, o seu crescimento deverá acelerar para 4,8%.

A China mantém o cenário difícil, com um crescimento abaixo dos 7%, já alguns países que viveram recessões no ano passado regressam agora a valores positivos. É o caso do Brasil, que deverá recuperar da recessão de 3,5% registada em 2016, para uma quase estagnação de 0,2% em 2017 e um crescimento de 1,5% em 2018. E também o caso da Rússia, que caiu 0,6% no ano passado e agora deverá crescer 1,1%.

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WEO update, janeiro 2017

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