Natixis: Dívida elevada trava subida de rating em 2017

Portugal está a crescer a um ritmo superior. E apesar do défice controlado, a fatura da dívida continua elevada, o que dificilmente permitirá que o país saia do nível de "lixo" nas agências de rating.

O PIB deu a volta. Acelerou o terceiro trimestre para um ritmo anual de 1,6% em 2016, devendo manter esse ritmo este ano. E o défice está a encolher. Mas isso não quer dizer que esteja tudo bem, nota o Natixis. É que Portugal continuará a ter uma dívida muito elevada, situação que, diz o banco de investimento, deverá impedir uma revisão em alta do rating. Ainda assim, também não deverá descer.

O crescimento do PIB deverá continuar em 2017, antes de atingir um ritmo de crescimento de 1,5% em 2018. “Depois de uma quebra acentuada em 2016, o investimento deverá acelerar e ser a chave do crescimento da economia em 2017“, diz o Natixis. “Além disso, graças às condições externas favoráveis, a balança comercial deverá também puxar pelo PIB em 2017”, nota.

Há um contexto positivo para o crescimento. E “o Orçamento do Estado para 2017 tem como objetivo reduzir o défice para 1,6% do PIB no final do ano, o mais baixo em 40 anos”, mas o banco de investimento francês também vê problemas. E o principal é o elevado nível de endividamento da economia nacional.

Apesar da melhoria a nível orçamental, o fardo da dívida pública (o rácio da dívida está em 129% do PIB)” continuará a travar o país. E irá ser uma barreira à revisão em alta do rating português. “Não irá permitir uma subida, mas também não levará a um corte, na classificação atribuída ao país pelas agências de notação financeira“.

A dívida portuguesa é lixo para as três maiores agências de rating. Só a DBRS tem uma classificação acima desse nível, o que é suficiente para que Portugal esteja elegível para as compras de dívida que estão a ser realizadas pelo Banco Central Europeu e que têm permitido que os juros se mantenham sob controlo. A taxa a dez anos está em torno de 3,8% a 3,9%.

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