Dívida externa líquida cai para mínimo de 2012

  • Lusa
  • 20 Fevereiro 2017

Em percentagem do PIB, a dívida externa líquida não estava tão baixa desde março de 2012. O saldo conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se nos 3154 milhões de euros em 2016.

A dívida externa líquida alcançou os 174,6 mil milhões de euros no final de 2016, representando 94,5% do Produto Interno Bruto (PIB), “o valor mais baixo desde março de 2012”, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP). Segundo o BdP, os 174,6 mil milhões de euros de dívida externa líquida registados no final de 2016, representam uma queda de 7,6 mil milhões de euros face a 2015.

Segundo a instituição, esta evolução representa, em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), uma redução de 101,5% para 94,5%, “o valor mais baixo desde março de 2012”.

De acordo com os dados divulgados, no final de 2016, a Posição de Investimento Internacional (PII) de Portugal era negativa, situando-se em -194,4 mil milhões de euros e correspondia a -105,2% do PIB, o que traduz uma variação positiva de 6,8 pontos percentuais face ao final de 2015 (quando foi registada uma PII de -201,1 mil milhões de euros, totalizando -112%).

O regulador bancário explica que os ativos líquidos de Portugal face ao exterior aumentaram 6,8 mil milhões de euros, devido às variações de preço (5,0 mil milhões de euros) e das transações (3,1 mil milhões de euros). Já quanto às variações de preço, a instituição destaca a desvalorização das obrigações do Tesouro detidas por não residentes. “Esta desvalorização de preço dos passivos, que originou uma melhoria da PII, foi parcialmente compensada por variações cambiais negativas de 0,7 mil milhões de euros”, lê-se na nota do BdP.

Balanças corrente e de capital com saldo de 3.154 milhões

O saldo conjunto das balanças corrente e de capital situou-se nos 3,15 mil milhões de euros em 2016, mais 921 milhões de euros face ao saldo do ano anterior, divulgou ainda o Banco de Portugal (BdP).

A nota estatística relativa à balança de pagamentos em dezembro de 2016 explica que o saldo conjunto de 3,15 mil milhões de euros representa 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e diz que a evolução verificada “deveu-se, globalmente, às componentes da balança corrente, com exceção do rendimento secundário”. O excedente da balança de bens e serviços aumentou 900 milhões de euros face a 2015.

O crescimento homólogo das exportações foi de 2% (0,8% nos bens e 4,4% nos serviços) e foi superior ao aumento das importações, de 0,8%, (0,3% nos bens e 3,1% nos serviços). Nos serviços, destaca-se a evolução da rubrica ‘Viagens e turismo’, cujo saldo passou de 7,839 mil milhões de euros em 2015 para 8,831 mil milhões de euros em 2016.

O défice da balança de rendimento primário, de 3,98 mil milhões de euros, diminuiu 565 milhões de euros face ao período homólogo, devido ao aumento dos subsídios recebidos da União Europeia e à diminuição dos rendimentos de investimento de carteira e outro investimento pagos a não residentes.

O excedente da balança de capital caiu 511 milhões de euros, sobretudo devido aos fundos recebidos da União Europeia que se destinam a investimento.

Em 2016, o saldo da balança financeira registou um aumento dos ativos líquidos de Portugal sobre o exterior no valor de 3,142 mil milhões de euros, uma evolução para a qual contribuíram a amortização de títulos do tesouro detidos por não residentes e o reembolso parcial antecipado dos empréstimos obtidos do Fundo Monetário Internacional (FMI) no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira.

Em sentido contrário, verificou-se um acréscimo dos passivos do banco central (‘Target’) e das sociedades não financeiras junto de entidades não residentes pertencentes ao mesmo grupo.

A instituição financeira salvaguarda que os dados publicados incorporam revisões desde janeiro de 2013, de acordo com a política de revisões das estatísticas do Banco de Portugal.

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Dívida externa líquida cai para mínimo de 2012

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião