Portugal consegue juros negativos recorde por dívida de curto prazo

Os dois leilões que o Tesouro português realizou esta manhã registaram taxas negativas recorde. Levantou 1.250 milhões de euros em dívida a três e 11 meses. Analistas relativizam sucesso da operação.

Os custos de financiamento de curto prazo de Portugal afundaram para mínimos recorde nos dois leilões que o Tesouro português realizou esta manhã. Foram levantados 1.250 milhões de euros em bilhetes a três e 11 meses. E ambas as maturidades registaram taxas negativas recorde, contrariando a tendência de agravamento dos juros em mercado secundário que se verifica em 2017.

No leilão a 11 meses, o IGCP conseguiu angariar um total de 1.000 milhões de euros, tendo pago um juro médio de -0,096%. Trata-se da taxa mais baixa de sempre, comparando com o juro de 0,006% que a agência liderada por Cristina Casalinho havia pago no último leilão comparável, realizado a 19 de outubro de 2016.

Também no leilão a três meses, os custos baixaram para mínimos históricos. Os 250 milhões de euros emitidos em bilhetes do Tesouro com maturidade em maio de 2017 registaram um juro de -0,211%, abaixo da taxa de -0,012% observada na última operação de financiamento com o mesmo prazo.

Taxa a 11 meses em valores negativos

Fonte: IGCP (valores em %)

A sólida procura por estes títulos de curto prazo ajudou a baixar os custos da operação, ao contrário do que aconteceu nas duas emissões de longo prazo que o IGCP realizou este ano. No último leilão de dívida a sete anos, realizado há apenas uma semana, a taxa obtida foi quase o dobro da registada há oito meses, em reflexo da turbulência que tem afetado o mercado de dívida nacional desde o início do ano.

Para Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa, este resultado não foi uma surpresa. “Portugal acompanha a curva das taxas de dívida de curto prazo que se verifica na Europa, aproveitando para emitir com taxas negativas, o que é sempre positivo para o país”. “No caso da emissão de dívida a 3 meses, a descida da taxa foi bastante acentuada e levou-nos para mínimos históricos – Portugal nunca se financiou a taxa tão baixa como esta”, sublinha Filipe Silva.

"Portugal acompanha a curva das taxas de dívida de curto prazo que se verifica na Europa, aproveitando para emitir com taxas negativas, o que é sempre positivo para o país.”

Filipe Silva

Diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa

Tiago da Costa Cardoso, gestor da corretora XTB Portugal, também relativiza o sucesso da operação. “Apesar de ser positivo este novo ‘rollover’ de dívida, falamos de um valor bastante pequeno, 250 milhões de euros a três meses e mil milhões a 12 meses, algo que não traz um impacto muito grande ao bolo global do pagamento de juros de dívida“, explica o gestor. “Ainda assim, acaba por obviamente ser positiva esta emissão, pois a expectativa de ter juros negativos mais baixos foi alcançada”, acrescenta.

(Notícia atualizada às 11h04)

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