Como o FMI vê Portugal em cinco pontos

Portugal cresce mais, mas o potencial é limitado. A dívida pública continua elevada, bem como os riscos de manutenção de acesso aos mercados especialmente se houver surpresas na banca.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que o crescimento económico acima do previsto é “bem-vindo”, mas alerta para o potencial limitado da economia nacional. A dívida é elevada, pelo que os encargos são um travão ao PIB. E o endividamento acima de 130% deixam o país vulnerável. Surpresas negativas podem fechar os mercados de financiamento, alerta o fundo. Conheça em cinco pontos como a entidade liderada por Christine Lagarde vê o país na quinta avaliação pós-programa.

  • BCE garante melhoria no perfil da dívida

O FMI diz que Portugal beneficiou de condições relativamente favoráveis desde o final do programa de assistência financeira. “O regresso aos mercados refletiu a bem-sucedida estabilização da economia portuguesa no âmbito do programa e tem sido suportado pela política acomodatícia do Banco Central Europeu desde o início de 2015”, refere. Este apoio “facilitou a melhoria constante no perfil da dívida pública que permitiu ao país fazer reembolsos antecipados de 12,9 mil milhões de euros ao fundo, mais de 40% do total”, nota. Desde então, Portugal já reembolsou mais, ficando saldado mais de metade do empréstimo do FMI.

  • Um crescimento “bem-vindo”

“Depois de uma primeira metade do ano fraca, a economia portuguesa mostrou um bem-vindo salto no crescimento no terceiro trimestre suportado pelas exportações”, salienta o FMI. “Apesar do trimestre positivo”, a que se seguiu mais um em que o PIB acelerou para 1,9%, o fundo diz que as “perspetivas de médio prazo para a economia portuguesa continuam a ser travadas pelo elevado nível de endividamento”.

  • Crescimento-banca-crescimento. O circulo vicioso

O FMI diz que as “perspetivas modestas de crescimento, o elevado endividamento público e privado, e a debilidade do sistema financeiro, estão a agravar-se mutuamente”. Como assim? “À medida que os bancos continuam a ser penalizados pelo malparado, a baixa rentabilidade e os elevado custos operacionais, são incapazes de conceder crédito suficiente para novos investimentos. O fraco crescimento, por sua vez, torna mais difícil aos bancos darem uma resposta ao malparado e melhorarem, assim, a sua rentabilidade, isto ao mesmo tempo que travam os esforços de consolidação orçamental“.

  • Financiamento? Portugal está “vulnerável”

O FMI acredita que Portugal será capaz de reembolsar o empréstimo ao fundo, mas mantém reticências quanto à capacidade de o país manter acesso aos mercados. “As dinâmicas da dívida pública portuguesa deixam o país vulnerável a alterações nas condições de financiamento”, nota. “Um ambiente menos benigno de financiamento acentuará o risco de uma subida mais rápida nos custos da dívida caso as surpresas negativas se materializem”, refere. Que surpresas? Tanto a nível externo, como o Brexit e as políticas de Trump, como interno, com foco na banca.

  • É preciso aumentar a resistência da banca

“Esforços ambiciosos para melhorar a resiliência do sistema financeiro, garantir uma consolidação orçamental duradoura e aumentar o crescimento potencial são necessários para reduzir os riscos”, nota o FMI. “As interligações entre perspetivas de crescimento modestas, grandes necessidades de financiamento anuais, e um sistema financeiro desafiante deixam Portugal vulnerável a um leque de choques que podem levar a uma mudança no sentimento [dos investidores perante o país] e puxar pelos custos de financiamento”, alerta.

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