Bava e Granadeiro arguidos por fraude fiscal, corrupção passiva e branqueamento

  • Margarida Peixoto
  • 24 Fevereiro 2017

Os dois antigos presidentes executivos da PT foram constituídos arguidos no âmbito da Operação Marquês, confirmou o Ministério Público. Este é o caso em que Sócrates e Salgado também são arguidos.

Henrique Granadeiro e Zeinal Bava foram constituídos arguidos esta sexta-feira, por fraude fiscal, corrupção passiva e branqueamento, confirmou o Ministério Público, numa nota enviada à comunicação social. Ambos já foram interrogados.

“Os arguidos, antigos gestores da PT, são suspeitos da prática de factos suscetíveis de integrarem os crimes de fraude fiscal, corrupção passiva e branqueamento”, lê-se no comunicado.

A notícia tinha sido avançada pela Sic Notícias. Este é o processo no qual o antigo primeiro-ministro José Sócrates também já é arguido. De acordo com a estação de televisão, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro foram ambos notificados para se apresentarem no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), para serem interrogados e constituídos arguidos. Zeinal Bava estava convocado para se apresentar de manhã e Henrique Granadeiro logo de seguida.

"Os arguidos, antigos gestores da PT, são suspeitos da prática de factos suscetíveis de integrarem os crimes de fraude fiscal, corrupção passiva e branqueamento.”

Ministério Público

Nota para a comunicação social

Segundo a Sic Notícias, uma das linhas de investigação aborda os alegados pagamentos feitos a Sócrates pelo Banco Espírito Santo. Estas alegadas luvas teriam que ver com três negócios que envolviam a PT: a OPA falhada da Sonaecom à PT, o spinoff da PT Multimédia e a venda da Vivo e consequente compra da Oi, no Brasil.

Até ao momento, a Operação Marquês já conta com 22 arguidos, entre os quais está Ricardo Salgado.

Segundo contou o Expresso, o saco azul do Grupo Espírito Santo cruza-se com a Operação Marquês. O Ministério Público está a investigar a origem do dinheiro em contas de Carlos Santos Silva, o amigo de José Sócrates. E conforme contou Hélder Bataglia — o empresário luso-angolano que fundou a Escom (empresa do universo GES) — as transferências que estão em causa terão sido feitas através da ES Enterprises. São pagamentos no valor de 12,5 milhões de euros, dinheiro que os investigadores acreditam que terá servido para subornar o então primeiro-ministro José Sócrates, para que aprovasse a nova fase de desenvolvimento do empreendimento de Vale do Lobo.

Mas há mais. O Expresso e a TVI contaram que terão passado mais de 300 milhões de euros pela ES Enterprises cujos destinatários ainda não são todos conhecidos. Contudo, há um nome e uma operação que já a apareceu na lista: o de Zeinal Bava. Por ordem de Ricardo Salgado, a ES Enterprises terá transferido, em 2012, 18,5 milhões de euros para uma conta bancária no estrangeiro detida pelo ex-CEO da Portugal Telecom.

O objetivo, segundo explicou Zeinal Bava ao Expresso, seria financiar a aquisição de ações da PT por um grupo de altos quadros da empresa, mas esta operação dependia da privatização total da PT, numa altura em que o Estado ainda detinha uma participação na operadora. Como a privatização não foi concretizada naquele momento, a operação não se realizou e, segundo Zeinal Bava, o dinheiro foi devolvido.

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