Facilitar fuga ao fisco? Não, diz a Mossak Fonseca

  • Lusa
  • 4 Março 2017

A firma, epicentro dos chamados “Papéis do Panamá”, desmente que sócios da firma prestavam serviços para facilitar o branqueamento e a fuga aos impostos.

A Mossack Fonseca desmentiu, na sexta-feira, a confissão feita no Panamá pela sua advogada no Brasil, María Mercedes Riaño, que afirmou que os sócios da firma prestavam serviços para facilitar o branqueamento e a fuga aos impostos.

A firma, epicentro dos chamados “Papéis do Panamá” e atualmente ‘beliscada’ pelo escândalo “Lava Jato”, descreveu as declarações feitas pela causídica como “invenções e suposições”, além de apontar que não estão relacionadas com a acusação do Ministério Público do Panamá.

Em comunicado, a firma de advogados com sede no Panamá, reiterou que María Mercedes Riaño é a única proprietária da sociedade Mossack Fonseca do Brasil e que geria os seus próprios clientes, ao contrário do que esta declarou à justiça, segundo uma confissão sua cujos conteúdos foram reproduzidos pelos ‘media’ locais.

Riaño, em prisão preventiva por suspeita de branqueamento de capitais, afirmou que dois executivos da empresa viajavam pelo mundo oferecendo serviços que não eram legais, dado que ajudavam o cliente a deixar os seus lucros nos bancos do Panamá ou de outros países, de acordo com informações publicadas no portal na Internet do canal TVN.

Os advogados “ofereciam o serviço de conta ‘escrow’, uma conta “intermédia donde entrava e saía dinheiro de um banco para outro, facilitando a perda do rasto do dinheiro”, detalhou, garantindo que desconhecia se a origem desses fundos era ilícita.

Para disponibilizar esse serviço, a Mossack Fonseca contava com 12 contas de diversos bancos em todo o mundo para fazer a passagem de dinheiro, explicou a advogada, segundo a informação da TVN.

Esses executivos, Amauri Batista e Edinson Teano, – este último também detido no Panamá – “sabiam quem era os beneficiários finais das contas bancárias donde provinha o dinheiro, assim como o verdadeiro destinatário do mesmo”.

Desde que estalou o escândalo dos chamados “Papéis do Panamá”, Ramón Fonseca Mora, principal sócio da firma a par com Jürgen Mossack, têm afirmado que a empresa desconhecia o uso final das sociedades constituídas e dos serviços que prestam.

A firma de advogados, que defende Fonseca Mora e Mossack, também detidos desde 09 de novembro, sustentou, na sexta-feira, que irá proceder ao esclarecimento de cada um dos pontos assinalados por Riaño “através de provas físicas convincentes e contundentes que vão provar a falsidade das suas declarações”, apesar de o seu direito à defesa ter sido afetado porque lhes foi recusado acesso ao processo.

A firma advertiu ainda que a fuga de informação relativa à confissão de Riaño é ilegal à luz da legislação vigente no Panamá. “A intenção de tornar seletivamente pública uma declaração é mais uma demonstração da debilidade deste caso”, argumentou.

Fonseca Mora, Mossack, Riaño e Teano foram indiciados por branqueamento de capitais, com a Procuradoria do Panamá a suspeitar que a firma é uma “organização criminal” que ajudou a lavar dinheiro no âmbito do escândalo “Lava Jato”.

Antes de ser detido, Fonseca Mora negou aos meios de comunicação social ligações à “Lava Jato”, apesar de reconhecer que “algumas sociedades” anónimas constituídas pela sua firma, que estimou numa dezena, “foram vendidas a advogados ou a bancos relacionados com algumas das pessoas envolvidas” no maior caso de corrupção da história do Brasil.

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