Catroga critica descredibilização do governador do BdP

  • Lusa
  • 8 Março 2017

O ex-ministro das Finanças desvalorizou hoje as eventuais falhas na queda do BES por parte do Banco de Portugal, admitindo “muita tristeza” no que diz ser um “movimento de descredibilização".

O ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga desvalorizou hoje as eventuais falhas na queda do BES por parte do Banco de Portugal (BdP), admitindo “muita tristeza” no que considera ser um “movimento de descredibilização” do governador do banco central.

“Sou um partidário de instituições independentes, reguladores fortes e independentes do poder político. “Vejo com muita tristeza este movimento de tentativa de descredibilização do governador do Banco de Portugal”, afirmou Eduardo Catroga aos jornalistas, à margem de encontro promovido pelo Internacional Club of Portugal, que decorreu em Lisboa.

O ex-ministro das Finanças foi questionado sobre se está preocupado com a supervisão bancária em Portugal, no seguimento dos documentos revelados num conjunto de reportagens de investigação da SIC, sobre a atuação de Carlos Costa nos anos que antecederam a resolução do Banco Espírito Santo (BES), que acabou por ocorrer em agosto de 2014.

“Não quer dizer que não tenha havido falhas, mas quem é que não falhou?”, interrogou o agora presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, dando o exemplo de falhas de outros reguladores internacionais. “Todos os reguladores tiveram falhas e com certeza que o regulador português também teve falhas”, disse.

Meta do défice não foi atingida

O ex-ministro das Finanças disse também que a meta para o défice de 2016 não foi atingida de forma sustentável, alertando que as medidas extraordinárias, como o ‘perdão fiscal’ não garantem a sustentabilidade das contas públicas.

“O objetivo orçamental foi conseguido, mas não de uma forma sustentável, porque as medidas ‘one-off’ [temporárias] não garantem a sustentabilidade a prazo das contas públicas”, afirmou Eduardo Catroga aos jornalistas.

O antigo ministro das Finanças tinha sido questionado sobre as críticas ao Conselho de Finanças Públicas (CFP), cuja presidente, Teodora Cardoso, disse, numa entrevista ao Público e à Rádio Renascença, que “até certo ponto, houve um milagre” no défice atingido em 2016. “Não vale que alguns agentes políticos, sem substância técnica e só por politiquices, criticarem o CFP”, considerou Eduardo Catroga, afirmando-se “partidário das instituições independentes”.

“Quando aparecem medidas extraordinárias como por exemplo um perdão fiscal, por o investimento quase a zero, que não foram explicitadas, não se pode agora criticar a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), seja o CFP, por pôr reservas à realização do objetivo orçamental”, disse.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Catroga critica descredibilização do governador do BdP

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião