Um crowdfunding para juntar todos à “Mezze”

  • Juliana Nogueira Santos
  • 11 Março 2017

A Pão a Pão quer ajudar os refugiados sírios a sentirem-se bem vindos no nosso país. E você pode ajudar também.

“De que é que tens mais saudades da Síria? Do pão.” Foi esta resposta tão simples que Alaa Alhariri, uma estudante universitária síria em Lisboa, deu a uma pergunta tão complexa que levou três portugueses a porem as mãos na massa e a começarem um movimento. “Logo ali achámos que tínhamos de fazer qualquer coisa”, afirmou ao ECO Francisca Gorjão Henriques, uma das responsáveis.

Chama-se Pão a Pão e estabeleceu-se como uma associação sem fins lucrativos que visa integrar os refugiados oriundos do Médio Oriente através da formação e da profissionalização. Assim, a associação ajuda os que vêm a aprender português, a perceber a cultura e o funcionamento básico do país e a dar os primeiros passos no ramo profissional.

Ainda assim, a situação de muitos destes continua difícil, com a falta de experiência a impor-se como um grande obstáculo: é o caso das mulheres que passaram a maior parte da sua vida como donas de casa. A solução seria então aliar essa experiência à resposta de Alaa. “A primeira ideia foi fazer uma padaria, mas rapidamente percebemos que não fazia muito sentido porque o pão é como uma colher que vai buscar os vários alimentos”, conta Francisca. “Seria mais interessante termos toda a refeição à mesa.”

O projeto avançou então para a abertura de um restaurante onde as mulheres e os jovens acolhidos pudessem explorar as suas competências e ganhar a independência que tanto precisam. Este conceito foi testado este Natal no Mercado de Santa Clara com os “Jantares Sírios” e o sucesso foi tal que se tornou óbvia a abertura de um restaurante permanente.

Nasceu então o Mezze, palavra utilizada pelos árabes para definir uma refeição partilhada, um restaurante que já tem um espaço físico no Mercado de Arroios e que irá abrir portas nesta primavera. Conta já com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, do Alto Comissariado para as Migrações, da Plataforma de Apoio aos Refugiados, entre outros. E pode ainda contar com a sua, através do crowdfunding que está a decorrer desde 3 de março.

O objetivo será juntar 15.000 euros em quase dois meses. Segundo a associação, a verba vai ser utilizada para equipar o restaurante com fornos, fogões, panelas, mesas, cadeiras… Ou seja, basicamente tudo o que for necessário para fazer do Mezze o local de partilha que invoca. Mas não é só o restaurante a ganhar com esta angariação. Os apoiantes, dependendo do valor que doarem, têm direito a uma prenda, que pode ir desde um frasco de hummus, passando por uma refeição, até a um destaque especial no site oficial da associação.

Contudo, esta não será a linha de chegada. Para Francisca Gorjão Henriques, a integração dos tantos refugiados que entram no nosso país tem necessariamente de ser feita, quer seja em Lisboa ou noutra localidade. Assim, os próximos passos serão, primeiro tornar o Mezze economicamente viável e entregá-lo inteiramente a refugiados e depois replicar o projeto noutros pontos do país.

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António Costa

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