Fecho de balcões? “O Governo não interferirá na vida do dia-a-dia da Caixa”

  • Margarida Peixoto e Marta Santos Silva
  • 22 Março 2017

O primeiro-ministro, António Costa, garantiu esta quarta-feira que o Governo quer a Caixa gerida "como uma empresa" e que não vai interferir nas decisões da gestão, mesmo sobre fecho de balcões.

O primeiro-ministro garantiu esta quarta-feira que o Governo não se vai intrometer na gestão da Caixa, mesmo no que toca ao fecho de balcões. Ainda assim, António Costa defendeu que é preciso assegurar que “em nenhum concelho deixa de haver Caixa”. Isto apesar de, como contou o ECO, já existir um em que só há uma caixa automática e nenhum balcão.

É preciso assegurar “que em nenhum concelho deixa de haver Caixa”, defendeu o primeiro-ministro, no debate quinzenal, na Assembleia da República. Em causa está o plano de reestruturação do banco público, que prevê o fecho de cerca de 200 balcões mas cuja escolha das agências concretas a encerrar ainda não é conhecida. Costa respondia a Luís Montenegro, líder da bancada parlamentar do PSD.

António Costa repetiu que quer a CGD 100% pública e frisou que o aval das autoridades comunitárias para a recapitalização da instituição financeira teve como primeira garantia uma gestão independente e profissional. Defendeu que é essencial “não só do ponto de vista das instituições europeias, mas do ponto de vista dos acionistas, que são todos os portugueses, saber que a CGD é gerida como uma empresa”, independente dos poderes políticos. E deixou a garantia: “O Governo não interferirá na vida do dia-a-dia da Caixa“, incluindo onde vai abrir ou fechar balcões.

BE recusa plano acordado com Bruxelas

Mas as críticas ao plano de reestruturação da Caixa não chegaram só da direita. Jerónimo Martins frisou que os problemas da Caixa não resultam do número de balcões, mas sim da má gestão. Antes disso, Catarina Martins, coordenadora do BE, tinha já colocado em causa todo o plano definido com as autoridades comunitárias. Seja por causa do fecho de balcões, da redução do número de trabalhadores ou do próprio modelo de recapitalização escolhido.

“A Caixa está a emitir 930 milhões destas obrigações com juros de 10%. Por uma decisão da Direção-geral da Concorrência comunitária (DGcomp), a Caixa vai perder quase 100 milhões de euros por ano. O Governo vai aceitar uma reestruturação da Caixa que ataca o banco público”, perguntou a deputada.

Na resposta, Costa manteve-se fiel ao acordo encontrado com a Comissão Europeia. “Julgamos que o acordo do plano de reestruturação responde a estas necessidades e que a cobertura do país está assegurada”, disse. Mas reconheceu que as negociações com as autoridades comunitárias foram duras: “Não desejo a ninguém ter de negociar com a DGcomp”, desabafou, aproveitando para adiantar que “o processo de venda do Novo Banco ainda não encerrou, porque o processo de negociação com a DGcomp ainda não está encerrado.”

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