Fundos especulativos ficaram com 41% da emissão da CGD

Maioria da emissão de dívida subordinada da CGD ficou mãos de investidores estrangeiros, com os hedge funds a ficarem com uma parcela de 41%, confirmou a CGD em comunicado enviado à CMVM.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi ao mercado para obter 500 milhões de euros através de títulos de dívida subordinada, com grande parte da emissão a ficar nas mãos de fundos especulativos. Segundo o comunicado enviado à CMVM pela CGD, esta quinta-feira, 41% dos 500 milhões de euros foram adquiridos por hedge funds, enquanto as gestoras de ativos ficaram com a maior parcela: 49%. Nas mãos de investidores portugueses ficou uma pequena parcela do montante total — 14% — enquanto a maior parte rumou a investidores do Reino Unido (59%).

“A CGD concretizou hoje a emissão em mercado de valores mobiliários representativos de fundos próprios adicionais de nível 1 (Additional Tier 1), no montante de 500 milhões de euros, junto de mais de 160 investidores institucionais”, confirma a CGD no comunicado enviado à CMVM, acrescentando que “o montante final alocado aos investidores institucionais nesta emissão da CGD foi distribuído por gestoras de ativos (49%), hedge funds (41%) e seguradoras (5%) e com uma origem geográfica diversa, com destaque para o Reino Unido (59%), Portugal (14%), Suíça (8%), Espanha (6%) e França (5%)”.

No comunicado, o banco público confirma a procura elevada tal como já tinha sido antecipado por fontes próximas da operação, com a procura a ascender a 2.000 milhões de euros. “Na sequência do roadshow concluído em 22 de março, a procura dos investidores pelos títulos revelou-se elevada e consistente, tendo o livro de ordens alcançado um montante global superior a 2.000 milhões de euros, mais de quatro vezes o montante da emissão”, diz a Caixa.

a taxa acabou por não descer muito face aos termos iniciais, com essa a fixar-se nos 10,75%, tal como a Bloomberg já tinha antecipado. “A taxa de juro do cupão fixou-se em 10,75%, claramente abaixo do intervalo inicial de preço (entre 11% e 11,5%), refletindo a referida procura o conjunto de riscos intrínsecos deste tipo de instrumentos, a ausência de emissões similares de emitentes nacionais, o fato da CGD não ser um banco cotado em Bolsa, bem como as recentes comunicações de agentes de mercado”, refere a esse propósito a Caixa.

A CGD tinha revelado, antes da operação, que no roadshow realizado nas principais praças europeias sentiu “um forte interesse” dos 120 investidores institucionais com quem esteve reunido. Investidores estes que demonstraram “profundo conhecimento acerca da CGD e do setor financeiro português”.

Esta transação permite concluir a segunda fase do Plano de Recapitalização da CGD, num montante total de 3.000 milhões de euros, no decorrer deste mês.

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