BlackRock e Pimco fora da emissão da CGD
A CGD não vai contar com duas das maiores gestoras de ativos na emissão de obrigações subordinadas. BlackRock e Pimco recusam participar na operação por causa das perdas com o BES.
A BlackRock e a Pimco, duas das maiores gestoras de ativos do mundo, vão ficar de fora da emissão de dívida subordinada que está a ser levada a cabo pelo banco estatal português. Não vão investir nos 500 milhões de euros que a CGD pretende obter, fazendo esta decisão parte da ameaça feita contra o país depois das perdas sofridas com a dívida do Novo Banco que foi transferida para o “banco mau”, o BES.
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De acordo com fontes próximas das duas gestoras, citadas pelo Financial Times, ambas afirmam que não vão participar na operação de emissão de títulos de dívida de elevada subordinação que está a ser levada a cabo pela instituição liderada por Paulo Macedo. Esta emissão de 500 milhões de euros para investidores privados faz parte do plano de recapitalização da CGD, sendo que sem a obtenção destes fundos não há a injeção de 2.500 milhões por parte do Estado.
A CGD revelou que o roadshow realizado nas principais praças europeias sentiu “forte interesse” dos investidores, mas isso não impedirá de pagar uma taxa elevada. E mesmo com esse juro alto, que atrai muitas gestoras que procuram ativos de alto rendimento, tanto a BlackRock como a Pimco afastam-se destes títulos tendo em conta as perdas sofridas por ambas no passado, em dívida que estava no Novo Banco.
“A 29 de dezembro de 2015, o Banco de Portugal levou a cabo um ato ilegal e discriminatório ao transferir cinco séries de títulos no total de 2,2 mil milhões de euros do Novo Banco para a massa falida do Banco Espírito Santo”, salientaram ambas numa nota. “Esta ação arbitrária e injustificada provocou perdas em torno de 1,5 mil milhões de euros para os investidores de retalho e pensionistas que confiaram as suas poupanças a instituições que investiram, em seu nome, em títulos que o Banco de Portugal escolheu de forma desigual”, acrescentaram.
É com base nestes argumentos que os dois bancos de investimento justificam a sua ação contra Portugal e o Banco de Portugal, mais em concreto. “Perante uma ação tão discriminatória e prejudicial, um grupo em representação de dois terços do total de 2,2 mil milhões de euros em títulos transferidos, liderados pela Pimco e pela BlackRock, não encontram outra hipótese do que intentar procedimentos legais contra o Banco de Portugal numa tentativa de recuperar as perdas dos seus clientes”, especifica o comunicado.
"Um acordo traria benefícios para a reputação de Portugal e, em última análise, beneficia os contribuintes portugueses sob a forma de uma diminuição dos custos de financiamento soberano e do setor bancário.”
Os bancos de investimento que lideram esta ação contra o Banco de Portugal consideram que o estabelecimento de um acordo traria “benefícios para a reputação de Portugal e, em última análise, beneficia os contribuintes portugueses sob a forma de uma diminuição dos custos de financiamento soberano e do setor bancário”. Não havendo acordo, não participam nas operações dos bancos nacionais. A emissão da CGD é só a primeira que evitam.
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