Novo Banco: PSD atira aprovação da venda para a esquerda

Como já tinha sido anunciado por Marques Mendes, o Governo já se começou a reunir com os partidos para discutir a venda do Novo Banco. PSD, BE, PCP e CDS já confirmaram as reuniões.

O Governo reuniu-se com o PSD, CDS, Bloco de Esquerda e PCP para discutir a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star. Isto depois de o Executivo de António Costa ter conseguido chegar a acordo com Bruxelas para ficar com 25% do banco de transição, mas com duas condições: não ter poder de voto nem gestores no banco. Um acordo que Mariana Mortágua diz ser o “pior dos dois mundos”.

A Sic Notícias avança que o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, recebeu esta manhã as delegações das bancadas parlamentares do PSD, CDS, Bloco de Esquerda e PCP. Reuniões que, segundo Marques Mendes, estavam previstas para se discutir a venda do Novo Banco – que tem de estar concluída até ao final da semana.

Contactada pela Lusa, fonte do grupo parlamentar confirmou o encontro de uma delegação do PSD com o Governo, remetendo para o executivo, que solicitou a reunião, o anúncio da “informação que deseja comunicar publicamente”. “O PSD esclarece apenas que não foi solicitado pelo Governo ao PSD qualquer apoio para a decisão que pretende tomar e que o governo, como é por demais sabido, dispõe de maioria parlamentar para suportar as suas escolhas políticas mais importantes”, acrescentou a mesma fonte.

Ainda na oposição, o CDS também disse ter estado hoje num encontro com o Executivo. “Nós aguardamos para saber em concreto o que é que está a ser preparado, o que é que está a ser decidido, seja pelo Banco de Portugal, seja pelo Governo, mas o que lhe posso dizer é que nós, de base, somos favoráveis a uma venda total do Novo Banco”, respondeu Assunção Cristas à agência Lusa quando questionada sobre a venda do Novo Banco.

Fonte do BE também confirmou a reunião à Lusa. E reiterou que a venda do Novo Banco é “demasiado importante para que não passe pelo parlamento”, não excluindo por isso a possibilidade de a levar à votação no plenário. Do lado do PCP, Jerónimo de Sousa reafirmou que a instituição deve ser integrada no setor público e lembrou que a sua posição “já foi levada à discussão e votação na Assembleia da República, no passado dia 03 de fevereiro, através de uma proposta apresentada e agendada” pelo partido.

Em declarações esta tarde à RTP3, à margem da visita à Madeira, o primeiro-ministro disse que as reuniões com os grupos parlamentares foram meramente informativas. António Costa afirmou que os encontros serviram para colocar os restantes partidos a par das negociações da venda do Novo Banco com a Comissão Europeia e o potencial comprador, a Lone Star.

Em causa está o acordo a que o Executivo conseguiu chegar com Bruxelas: fica com 25% do capital, mas sem administradores no banco e sem poder de voto, como avançou o ECO. Esta foi a condição das autoridades europeias para aceitar a participação do Estado na estrutura acionista em associação com o fundo norte-americano. Vai ter ações, a responsabilidade de capitalizar o banco no futuro caso venha a ser necessário, mas não vai ter direitos de participação na gestão.

O ministro das Finanças, na conferência de imprensa em que explicou os resultados do défice de 2016, afirmou: “Consideramos que há condições para um acordo”, sem adiantar mais dados, com a justificação de que as negociações estão em curso. Neste acordo, o Lone Star compromete-se, por seu lado, a colocar 750 milhões de euros de capital no Novo Banco, e a reforçar a capitalização com mais 250 milhões de euros numa segunda fase, a curto prazo, revelou ao ECO uma fonte que acompanha as negociações.

(Notícia atualizada às 17h42 com declarações do CDS)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Novo Banco: PSD atira aprovação da venda para a esquerda

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião