PCP mostra apoio ao Governo. Travar venda do Novo Banco “é um desastre”

  • Lusa
  • 29 Março 2017

O PCP admite que travar a venda do Novo Banco seria "um desastre ainda maior" do que vender. Mas ressalva que "não abdicará de nenhum instrumento para a manutenção do banco na esfera pública".

A venda do Novo Banco, nos moldes em que está a ser feita, “é um desastre”. Mas bloqueá-la “é um desastre ainda maior”. A posição é do deputado comunista Miguel Tiago, que deixa assim implícito que, se a venda do Novo Banco for levada ao Parlamento, o Governo deverá poder contar com o voto favorável do PCP.

"Continuar esta venda é um desastre para os portugueses, bloqueá-la, por si só, é um desastre porventura ainda maior (…). Mas o PCP não abdicará de nenhum instrumento para a manutenção [do banco] na esfera pública”

Miguel Tiago

Deputado do PCP

Imaginemos que o decreto-lei era rejeitado. Apenas significaria a liquidação do Novo Banco, com os custos incomportáveis para o Orçamento do Estado, para os empregos das pessoas, o financiamento da economia e a estabilidade do sistema bancário. Continuar esta venda é um desastre para os portugueses, bloqueá-la, por si só, é um desastre porventura ainda maior“, afirmou, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Apesar de considerar que o Governo não está “formalmente” obrigado a fazer um decreto-lei sobre a futura privatização, possibilitando assim a sua apreciação parlamentar, Miguel Tiago afirmou que “o PCP não abdicará de nenhum instrumento para a manutenção [do banco] na esfera pública”.

É importante que seja feita a distinção entre travar a venda, bloquear a solução que está em cima da mesa e aquilo que o PCP defende. Bloquear a venda, por si só, significa liquidar o banco com custos muito mais elevados. Cancelar o negócio como ato isolado implicaria a sua resolução”, sublinhou.

"O termo [nacionalização] está conspurcado pelo que se tem feito ao Banif e BPP, mas é digno e bonito”

Miguel Tiago

Deputado do PCP

“Não sabendo se o decreto vai existir e o que lá está escrito, seria muito prematuro dizer que é possível intervir para o transformar naquilo que o PCP defende, que não é a liquidação, mas a sua integração no setor público. Uma nacionalização, chamemos-lhe assim. O termo está conspurcado pelo que se tem feito ao Banif e BPP, mas é digno e bonito“, acrescentou Miguel Tiago.

O primeiro-ministro, António Costa, revelou que o Governo, que já reuniu com diversos partidos políticos, tem a expectativa de concluir a venda do Novo Banco até ao final desta semana. Já a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, admitiu a possibilidade de o Estado português manter 25% do capital do Novo Banco, mas apontou que então deverá assumir outros compromissos, escusando-se a especificar quais.

“O PCP não subscreve nenhum dos moldes em que possa vir a ser realizada uma venda do Novo Banco. Uma solução que implica a perda total é totalmente inaceitável. Uma vez mais o Estado estava a servir apenas de câmara de limpeza para branqueamento dos crimes de banqueiros“, declarou o parlamentar comunista.

"Não há apenas uma Comissão Europeia que impõe, há um Governo PS que aceita as imposições.”

Miguel Tiago

Deputado do PCP

Miguel Tiago reafirmou que, “independentemente de qual seja o plano do Governo e os planos de recapitalização e de venda”, o importante é “defender os postos de trabalho, os balcões, integrar o Novo Banco na esfera pública e colocá-lo ao serviço do povo e do país porque é um canal importante de financiamento para Portugal e pode gerar receitas que venham a recompensar as perdas”.

Para o deputado do PCP a situação atual “resulta do desenvolvimento de ações que já foram tomadas no passado e a degradação do banco resulta de medidas do anterior Governo”, com “profundas responsabilidades nos custos que os portugueses estão a assumir”.

Não há apenas uma Comissão Europeia que impõe, há um Governo PS que aceita as imposições“, referiu ainda, lembrando que “a decisão sobre a venda do Novo Banco ocorreu no parlamento em 2 de fevereiro”, quando PS, PSD e CDS rejeitaram o projeto do PCP – que determinava a sua integração no setor público bancário.

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