Portugal negoceia acordo de 600 milhões com grandes investidores do Novo Banco

O Governo e o Fundo de Resolução esperam chegar a acordo com os grandes investidores do Novo Banco ainda este ano. Os 600 milhões serão suportados pelo Fundo de Resolução.

As autoridades portuguesas estão a tentar chegar a acordo com o grupo de grandes investidores que sofreram perdas com a transferência de obrigações que detinham no Novo Banco para o BES “mau”. Segundo a Bloomberg, o acordo que está em cima da mesa prevê uma compensação de 600 milhões de euros a este grupo de investidores, liderados pelas gestoras de ativos BlackRock e Pimco. Este montante será suportado pelo Fundo de Resolução.

A notícia surge uma semana depois de estes mesmos investidores, que apostaram em dívida sénior do antigo BES (entretanto transformado em Novo Banco), terem decidido processar o Banco de Portugal, sugerindo ainda que Portugal sairia a ganhar se chegasse a acordo. Em causa está a transferência de cinco linhas de obrigações do Novo Banco para a massa falida do BES, ou o chamado “banco mau”. Estas obrigações totalizam, no seu conjunto, 2,2 mil milhões de euros.

O grupo com que as autoridades portuguesas estão agora a negociar um acordo, liderado pela Pimco e BlackRock, representam dois terços do total de 2,2 mil milhões de euros investidos. O objetivo, explica a Bloomberg, é fechar o acordo ainda este ano. O valor em cima da mesa, de 600 milhões de euros, está a ser calculado com base no que os investidores teriam recuperado caso o BES tivesse sido liquidado, em vez de ter sido dividido em “banco bom” (o Novo Banco) e “banco mau” (para onde foram transferidas as obrigações). Este cálculo foi feito pela consultora Deloitte, que estima que os obrigacionistas teriam recuperado 31,7% do valor investido caso o BES tivesse sido liquidado.

O ministro das Finanças já tinha adiantado, esta quarta-feira, que o país está a trabalhar para “encontrar uma solução que sirva para todos”. Em entrevista à Bloomberg, Mário Centeno disse que esta situação “está a ter um custo sobre o sistema financeiro [português] e, claro, sobre as instituições envolvidas”. O ministro não entrou em mais detalhes sobre a solução que está a ser trabalhada.

Por “custo sobre o sistema financeiro”, leia-se que, por causa da disputa com o Banco de Portugal e das perdas com as obrigações do Novo Banco, a Pimco e a BlackRock decidiram ficar de fora da emissão da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Quando justificaram o porquê de terem avançado com um processo contra o Banco de Portugal, as duas gestoras de ativos referiram que um acordo traria “benefícios para a reputação de Portugal e, em última análise, [beneficiaria] os contribuintes portugueses sob a forma de uma diminuição dos custos de financiamento soberano e do setor bancário”. Ou seja, sem acordo, estes fundos recusam-se a participar nas operações dos bancos nacionais.

Notícia atualizada pela última vez às 19h56 com mais informações.

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