Costa garante: Malparado não vai fazer “nascer um banco mau”

  • Marta Santos Silva
  • 4 Abril 2017

António Costa diz que a solução para o malparado português é uma valorização dos ativos. No que toca ao Montepio, disse estar "tranquilo" em relação aos ativos tutelados pelo Ministério do Trabalho.

O problema do crédito malparado na banca portuguesa não se vai transformar num “banco mau”, garantiu esta terça-feira o primeiro-ministro António Costa numa entrevista com a rádio Renascença. Aquilo de que Portugal precisa é de uma instituição que possa recuperar o crédito e valorizar os ativos, e não tratá-los como lixo, afirmou.

Na entrevista, questionado sobre o problema do crédito malparado, António Costa respondeu explicitando: “Não vai nascer nenhum banco mau”, uma expressão que diz nunca ter defendido. Deixou ainda uma crítica ao Governo anterior, que adiou os problemas do sistema financeiro para uma resolução posterior “à saída limpa”.

Na área da banca, Costa aproveitou para elogiar o seu próprio Governo pela gestão de situações que vinham do passado, exemplificando com a Caixa Geral de Depósitos, cuja capitalização está a decorrer, o BPI, o Banif, o BCP e o Novo Banco. A este último caso dedicou especial atenção, assinalado que a solução encontrada foi a “possível”, até porque “se o banco não fosse vendido até agosto era liquidado”. Não é a sua preferida, sublinha, mas “o comprador queria lá o Estado, que credibiliza o banco e a solução. Através do Fundo de Resolução o Estado pode beneficiar de uma possível valorização”, com um risco de perdas limitado.

“Não vivemos no mundo da Alice no País das Maravilhas. Há um ano estávamos numa situação muito grave. Ao longo deste ano fomos melhorando”, sintetizou o primeiro-ministro.

Montepio: Costa está “tranquilo” com trabalho de Vieira da Silva

Questionado sobre o caso do Montepio, António Costa quase imitou Mário Centeno quando o ministro das Finanças disse estava descansado sobre o seu próprio trabalho. “Relativamente aos produtos supervisionados pelo Ministério Trabalho, sim, estou tranquilo com a competência do ministro Vieira da Silva”, afirmou António Costa, evitando responder acerca da idoneidade de Tomás Correia, que lidera a Associação Mutualista Montepio Geral, já que “a idoneidade não compete ao Governo”, mas sim ao Banco de Portugal.

Para o primeiro-ministro, a crise no Montepio é “um problema bastante conciso e limitado no sistema financeiro, relativamente a outros problemas que têm vindo a ser resolvidos com sucesso”, afirmou, rejeitando “alarmismo desnecessário” à volta da questão.

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