Deterioração do Novo Banco “muito além” da avaliação inicial

  • Rita Atalaia
  • 12 Abril 2017

Mário Centeno acusa o Governo de Pedro Passos Coelho de reagir ao processo de resolução do BES com "condições não realistas". E isto, diz, dificultou o processo de venda do Novo Banco.

Mário Centeno admite que a “deterioração expectável” dos ativos do Novo Banco será muito maior do que a avaliação inicial. O ministro das Finanças explica aos deputados na comissão de Orçamento e Finanças (COFMA) que o Governo de Pedro Passos Coelho respondeu ao processo de resolução do Banco Espírito Santo (BES) com “condições não realistas”. Isto, diz o responsável pela pasta das Finanças, criou dificuldades na venda do banco de transição liderado por António Ramalho.

“Já me referi às condições não realistas com que o Governo de 2014 reagiu ao que era o processo de resolução do BES e às condições em que ele foi realizado“, esclarece Mário Centeno na comissão para explicar a situação do BES/Novo Banco. O ministro acrescenta que “constata-se hoje que aquilo que era o balanço do Novo Banco não permitiria esperar da sua venda um resultado equivalente ao que eram os anúncios da altura”.

É por isso que “o balanço do Novo Banco contém um conjunto de ativos cuja deterioração expectável vai muito para além daquilo que, na altura, foi avaliado”, reconhece Centeno. E isso, diz, “levanta dificuldades na transação desse banco”. Na altura em que foi feita a resolução, o BES foi separado no banco mau e o Novo Banco. Mas mesmo o banco bom tinha ativos tóxicos, daí que tenha sido criado o chamado side bank.

O valor de referência para este side bank era de 9,7 mil milhões de euros, apurado no final de setembro de 2016. Mas este side bank já não existe. Por um lado, houve ativos que eram considerados tóxicos e que deixaram de o ser, como a operação em Espanha. Por outro, há novos ativos que estão no balanço do Novo Banco e que passaram a ser considerados tóxicos — quem escolheu os ativos que são agora considerados “perigosos” foi o Lone Star. O montante em risco estará agora mais perto dos nove mil milhões.

Os ativos tóxicos em causa vão ser geridos durante oito anos pelo Fundo de Resolução, em conjunto com o Lone Star. Durante este prazo, o que ficou acordado com Direção Geral de Concorrência foi um plano de desinvestimento que prevê que, dentro de cinco anos, 75% dos ativos têm ser alienados. Em cada um dos três anos seguintes, a meta vai aumentando em 5%, até aos 90%. Os 10% remanescentes podem, ou não, ser vendidos — não é obrigatório.

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