Bruxelas coloca fatura do Brexit nos 100 mil milhões de euros

  • ECO
  • 3 Maio 2017

A União Europeia, impulsionada pela França e pela Alemanha, terá endurecido a posição e reviu os cálculos inicias para os 100 mil milhões de euros.

A União Europeia reviu os cálculos iniciais e terá elevado a “fatura” do Brexit para os 100 mil milhões de euros. O Financial Times (acesso pago) escreve na edição desta quarta-feira que as medidas mais rigorosas estarão a ser impulsionadas pela França e pela Alemanha.

Ainda segundo aquela publicação, na sequência de pedidos de vários Estados-Membros, os negociadores da UE reviram os cálculos iniciais tendo em vista maximizar as responsabilidades que a Grã-Bretanha deve cobrir, incluindo pagamentos agrícolas pós-Brexit e taxas de administração da UE em 2019 e 2020.

Isto apesar de nas próximas décadas a fatura liquida da Grã-Bretanha ser inferior à liquidação antecipada de 100 mil milhões de euros. A abordagem mais rigorosa das obrigações pendentes da Grã-Bretanha aumenta de forma significativa a estimativa de Jean-Claude Junker, presidente da Comissão Europeia, que apontava para uma estimativa de 60 mil milhões de euros.

Estas medidas mais rigorosas refletem a posição, cada vez mais rígida de muitos estados membros da UE, que deixaram muito cedo de ter reservas ao cálculo dos riscos políticos acumulados nas exigências que ajudarão a conter um buraco financeiro relacionado com o Brexit no orçamento comum do bloco comunitário.

Paris e Varsóvia têm pressionado no sentido de serem incluídos pagamentos agrícolas anuais pós Brexit. Já Berlim está contra conceder-se à Grã-Bretanha uma parte dos ativos da UE.

As estimativas do projeto Brexit variam bastante na medida em que há ainda muitas incertezas a começar pela própria data de saída da Grã-Bretanha da UE, da parcela adequada de contribuições e receitas do Reino Unido, bem como do desconto orçamental ou das despesas de investimento da UE.

Aliás, são estes custos pesados que tornam difícil um Brexit suave. Os alarmes dentro da União Europeia terão tocado após o jantar entre Theresa May e Junker e onde esta terá rejeitado a ideia de um custo de saída. Para May, quaisquer termos financeiros estariam vinculados à obtenção de um acordo comercial até 2019.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Bruxelas coloca fatura do Brexit nos 100 mil milhões de euros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião