Efacec ainda pode dispensar 249 colaboradores. Mas não tem “nenhum plano”

A Efacec esclareceu que pediu o alargamento do estatuto de reestruturação para permitir a "eventual utilização" das 249 quotas de rescisão existentes. Mas garantiu que não tem em curso "nenhum plano".

Ângelo Ramalho, presidente executivo do grupo Efacec.Paula Nunes / ECO

A Efacec emitiu uma nota de esclarecimento onde indica que “não tem atualmente em curso nenhum plano de rescisões”, mas que ainda tem 249 quotas de rescisão que pode usar até dezembro de 2018. A informação surge como resposta à notícia avançada esta quinta-feira, dando conta que a empresa voltou a pedir ao Governo o estatuto de “empresa em reestruturação” para, alegadamente, dispensar até 409 trabalhadores.

Contactado pelo ECO, Ângelo Ramalho acrescentou que o pedido de alargamento do estatuto visa apenas dar margem de manobra na eventualidade de ser necessário. “A Efacec não vai fazer nenhum plano de reestruturação ao longo de 2017. Com os dados que hoje tenho na mão também não é necessário em 2018, porque a Efacec está a crescer”, sublinhou.

“À data de dezembro de 2016, a Efacec celebrou 175 rescisões por mútuo acordo, do total de 424 autorizadas”, indica agora a empresa, que inverteu os 20 milhões de euros de prejuízos registados em 2015 para lucros ainda não conhecidos em 2016. E confirma o pedido da extensão desse estatuto de reestruturação para as unidades de energia e engenharia até ao final de 2018, o que permitirá a “eventual utilização” das 249 quotas de rescisão ainda existentes.

A empresa considera que, apesar dos resultados positivos, “existe ainda um caminho a percorrer de adequação das competências e perfis das nossas pessoas às necessidades do mercado”. “A Efacec encontra-se no caminho do crescimento com sustentabilidade”, acrescenta a nota.

A Efacec não vai fazer nenhum plano de reestruturação ao longo de 2017. Com os dados que hoje tenho na mão também não é necessário em 2018.

Ângelo Ramalho

Presidente executivo da Efacec

O comunicado vai um pouco mais longe e recorda o período de “situação financeira crítica” atravessado no final de 2013, que levou a Efacec Energia e Efacec Engenharia a solicitarem, pela primeira vez, o dito estatuto ao Governo. “O grupo encontrava-se, em final de 2013, numa situação financeira crítica, com prejuízos anuais de 90 milhões de euros e necessitando de medidas excecionais de reforço de capitais próprios para evitar uma situação de falência técnica”, lembra.

Mediante a lei, cada empresa poderia rescindir até 80 contratos por mútuo acordo. No entanto, face à dimensão do problema, a secretaria de Estado do Emprego autorizou, por despacho de 29 de abril, o alargamento dessas quotas até 132 na Efacec Energia e 292 na Efacec Engenharia. Como referido, do total de 424 possíveis, foram rescindidos 175 contratos. Em contrapartida, no decorrer de 2016, a firma contratou uma centena de novos colaboradores.

Aí, a empresa recorda também como só a entrada de um novo investidor em outubro de 2015 (Isabel dos Santos) permitiu implementar o plano de reestruturação aprovado. “Assim que iniciou funções, a prioridade da nova Administração foi assegurar a sustentabilidade do grupo, recuperar a credibilidade junto de instituições financeiras e fornecedores e reafirmar a Efacec enquanto empresa e marca de referência”, lê-se na nota.

A empresa conclui, referindo que as rescisões arrancaram em dezembro de 2015 e que o plano de reestruturação começou a ser posto em prática logo no primeiro trimestre de 2016. As rescisões incidiram principalmente sobre “colaboradores em final de carreira e abrangendo todos os níveis funcionais e hierárquicos do grupo”.

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