Indústria e combustíveis põem exportações a crescer 17%

No primeiro trimestre, as exportações de bens aceleraram mais do que as importações. Mas a balança comercial piora. Efeitos de calendário justificam variações percentuais elevadas no mês de março.

“As exportações e importações aumentaram 23,9% e 14,6%, respetivamente, em termos nominais”, indica o Instituto Nacional de Estatística, relativamente aos dados do comércio internacional de bens até março. No destaque o INE explica que “a aceleração das exportações e das importações refletiu em parte efeitos de calendário“. Nos primeiros três meses, as exportações e as importações de bens aumentaram respetivamente 17,1% e 15,3% face ao período homólogo.

A análise dos dados até março revela que o principal contributo para o aumento das exportações foi o aumento de 538 milhões de euros dos fornecimentos industriais, mais 13,3% face ao período homólogo. Além disso, a subida de 73,5% nas exportações de combustíveis e lubrificantes — um acréscimo de 435 milhões de euros — também contribuiu para a subida superior a 17% nas exportações do primeiro trimestre.

O défice da balança comercial de bens melhorou em março deste ano, face ao mesmo período de 2016. “O défice da balança comercial de bens situou-se em 821 milhões de euros em março de 2017, o que representa uma diminuição de 241 milhões de euros face ao mês homólogo de 2016”, explica o Instituto Nacional de Estatística. Contudo, se compararmos o primeiro trimestre deste ano com o de 2016, concluímos que o saldo da balança comercial agravou-se em 154 milhões de euros.

Março beneficia de efeitos de calendário. Rússia surpreende

A aceleração das exportações e das importações em março refletiu em parte efeitos de calendário, tal como explica o INE: “Efetivamente, em 2016, a Páscoa foi celebrada em março enquanto em 2017 foi em abril. Acresce que, enquanto em fevereiro de 2017 houve menos um dia útil que no mesmo mês do ano anterior, em março houve um dia útil adicional em relação ao mês homólogo de 2016”. Estas diferenças de calendário justificam em parte as variações homólogas mais expressivas verificadas em março deste ano.

Excluindo o efeito dos combustíveis e lubrificantes — bens com preços mais voláteis –, as exportações cresceram 21,1% e as importações aumentaram 14,6%, segundo o destaque sobre as Estatísticas do Comércio Internacional de março. As exportações beneficiaram essencialmente do aumento de bens exportados para os Estados-membros da União Europeia. O mesmo aconteceu nas importações com o mercado único a ser o impulsionador deste aumento.

As exportações para Espanha (+16,3%), Estados Unidos (+64,7%), França (+19%) e Alemanha (+22,3%) aumentaram significativamente. Do lado das importações, Espanha e Alemanha foram os principais fornecedores, mas houve uma surpresa: as importações com origem na Rússia aumentaram 252,9% por causa dos combustíveis (óleos brutos de petróleo e fuelóleo).

Em destaque nos crescimentos homólogos, por categorias económicas de bens, estão os acréscimos verificados nos ‘fornecimentos industriais’.

Em fevereiro, a balança comercial de bens tinha registado um valor pior em comparação com o ano passado: foram mais 58 milhões de euros face ao período homólogo. As exportações estão a aumentar a um maior ritmo do que as importações, mas a diferença é ligeira. Excluindo os combustíveis, as exportações cresceram 5,5% e as importações aumentaram 4,0%. Incluindo os combustíveis, as exportações de bens subiram 9% e as importações cresceram 8,9%.

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