Fábrica portuguesa da Bosch fecha projeto de 2 mil milhões

  • ECO
  • 17 Maio 2017

A partir de meados de 2018 todos os modelos da Renault e Nissan terão incorporado uma plataforma desenvolvida pela Bosch Portugal. Dos 2 mil milhões do contrato, 1,3 mil milhões ficam em Portugal.

As soluções de mobilidade estão ao volante do crescimento da Bosch. O maior projeto de sempre da empresa está previsto para o início de 2018 e 2 mil milhões é o valor total do contrato. A fábrica portuguesa, de sede em Braga, vai ser responsável por 65% da produção e receberá, assim, 1,3 mil milhões.

Os veículos da Renault e da Nissan serão produzidos com tecnologia made in Portugal. Este projeto de grande envergadura pesa 1,3 mil milhões no balanço da Bosch em Portugal e está assinado para os próximos 5 anos. A China e a Malásia também assinam, sendo os responsáveis pelos restantes 35% da produção. Este projeto ganha em volume, mas não é o único previsto. A Audi, por exemplo, está a pedir uma duplicação da linha de produção.

As autoestradas portuguesas serão palco para o teste de soluções de condução autónoma já nos próximos meses. A Brisa vai libertar dois troços de autoestrada, um próximo de Braga e outro no centro (ainda por definir), para fazer o teste. “A Tesla funciona apenas com câmaras, não é suficiente. Isso também nós temos” diz Carlos Ribas. A Mercedes e a Renault vão ceder os veículos para testar tecnologias de realidade aumentada e de estabilidade baseada em sensores.

“Portugal e a Bosch estão largamente à frente da maior parte dos países”, garante Carlos Ribas, referindo-se à indústria 4.0. Revela ainda que o secretário de estado da indústria acredita bastante neste desenvolvimento pelo que “faz uma pressão muito forte” e “está a convencer muitos parceiros estrangeiros a virem instalar-se em Portugal”.

A unidade de Braga, responsável pelas soluções de mobilidade, cresceu 36% em 2016. Mas o investimento continua: 38 milhões serão investidos na aquisição de um terreno e na construção de novos edifícios. Outros 9 milhões serão aplicados ao desenvolvimento de novas soluções, já entre 2019 e 2020. Enquanto as novas instalações não estão prontas, parte do negócio de Braga (o que não está ligado à mobilidade) vai migrar para Ovar, libertando espaço para crescer na área automóvel mesmo antes dos novos edifícios estarem completos.

O talento é então convidado a entrar, porque “queremos inventar para depois podermos produzir”, e os resultados da Bosch só vêm das mãos dos trabalhadores, “os melhores do mundo” para Carlos Ribas. A Bosch vai investir 55 milhões de euros até meados de 2018 na parceria com a Universidade do Minho, e 25 milhões na parceria com a Universidade de Aveiro.

Nos primeiros quatro meses do ano foram feitas 500 novas contratações, que deverão ser duplicadas até ao final do ano. Parte dos engenheiros que contrataram foram recuperados do estrangeiro: portugueses que abandonaram o país no início dos tempos de crise. “Acredito que vão haver problemas mas ainda não os sentimos” afirma Carlos Ribas relativamente às contratações.

Apesar de “100% apartidária” a Bosch diz estar a unir esforços com o Governo para impulsionar a economia nacional. O acordo é o seguinte: A Bosch responsabiliza-se pela coordenação e formação dos fornecedores nacionais e o Governo financia este programa. Foram contactadas 40 possíveis empresas interessadas em ingressar no programa; as respostas positivas foram as mesmas 40, sendo que mais queriam entrar. Um programa que levou apenas meses a ser planeado, entrará em vigor igualmente rápido: em princípio, ainda este ano.

Tendo em conta as novas perspetivas de negócio, Carlos Ribas acredita que em 2017 a Bosch Portugal supere os lucros de 1,1 mil milhões do ano passado. Para já, o crescimento de 18% verificado em 2016 já supera largamente as projeções para a Bosch a nível internacional, que está apontado para cerca dos 5% este ano. As unidades portuguesas destacam-se assim na vanguarda não só da tecnologia mas também da família Bosch.

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