Bosch vai receber incentivo comunitário de 17,86 milhões

Bosch investe 26,2 milhões e cria 110 novos postos de trabalho para aumentar a capacidade produtiva da fábrica de Aveiro e incorporar um elevado nível de produção nacional.

A Bosh vai receber um incentivo de 17,86 milhões de euros em fundos comunitários, apurou o ECO. Em causa estão dois projectos que já receberam luz verde para obter apoio de Bruxelas.

O primeiro implica um investimento total de 26,2 milhões de euros e prevê criar 110 novos postos de trabalho diretos e permanentes até 2020. Em causa está um investimento elegível de 22,57 milhões que vai receber um apoio de 6,14 milhões. No segundo projeto, o investimento elegível (as despesas do investimento que são passíveis de receber apoios comunitários) é de 18,83 milhões que terá um incentivo de 11,72 milhões de euros, apurou o ECO.

A ideia é aumentar a capacidade produtiva da fábrica de Aveiro para “produzir e introduzir no mercado uma nova gama de esquentadores, mais eficientes” e “com características únicas face às soluções existentes no mercado internacional”. Segundo o despacho do ministro da Economia e do secretário de Estado da Internacionalização, assinado a 30 de novembro e publicado esta terça-feira, em Diário da República, o objetivo da Bosch com esta nova gama de esquentadores de “fácil utilização pelos consumidores” e “energeticamente eficientes” é “obter vantagens competitivas face aos concorrentes a nível internacional”, assumindo um “posicionamento sustentável e diferenciador”.

“Dado o seu impacto macroeconómico, considera-se que o projeto reúne as condições necessárias à concessão de incentivos financeiros previstos para os grandes projetos de investimento”, justificam os responsáveis no despacho. E não só. Tem condições para receber “o incentivo máximo”. Mas, sendo este investimento alvo de negociação de um Contrato de Investimento entre o Estado português (através da Aicep) e a Bosch, os termos do contrato nunca são do domínio público, porque, além do apoio comunitário normalmente têm associados benefícios fiscais e outras contrapartidas. Recorde-se o caso da Alstom que por incumprimento das clausulas do contrato teve de devolver os incentivos, mas nem o Ministério dos Negócios Estrangeiros nem a Aicep avançam quais os montantes em causa.

No caso da Bosch Termotecnologia a empresa propõem-se:

  • A realizar “um volume de negócios de 271 milhões de euros em 2020″.
  • Incorporar um elevado nível de produção nacional, quer seja ao nível das matérias-primas utilizadas, quer dos restantes custos produtivos, o que implica que este investimento terá um efeito de arrastamento junto das PME a montante e a jusante.
  • Prevê-se um aumento de 61% do montante de componentes provenientes de fornecedores nacionais, de 46 para 74 milhões de euros, e um aumento de 27% nos Fornecimentos e Serviços Externos com origem em Portugal, correspondendo a um valor total de Compras e FSE, em Portugal, de 105 milhões de euros em 2020.
  • Reforçar a posição nos principais mercados internacionais — a Bosch está presente em mais de 50 países — e aumentar a intensidade das exportações em 2020 para cerca de 82%, contribuindo para o crescimento da empresa em volume de negócios e em valor acrescentado. Perspetiva-se um crescimento das exportações entre 2014, o ano pré-projeto, e 2020, de 41 milhões de euros, atingindo o valor de 223 milhões de euros.
  • Alcançar em 2025, um valor de vendas e prestação de serviços de três mil milhões de euros, e um Valor Acrescentado Bruto de cerca de 718,3 milhões de euros, ambos em valores acumulados desde 1 de janeiro de 2015.
  • Criação, até 2020, de 110 novos postos de trabalho diretos e permanentes, dos quais 85 são altamente qualificados. E potenciar a criação de emprego nos fornecedores nacionais, através da criação de 120 postos de trabalho indiretos.

No despacho é ainda destacada a cooperação com outras empresas e entidades do Sistema Nacional de Investigação e Inovação, em especial a Universidade de Aveiro. São já vários os projetos que têm sido desenvolvidos entre a empresa e a universidade, o que a insere no cluster de inovação e investigação desenvolvido na região de Aveiro.

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