Horta Osório dá lucro de mil milhões ao Governo britânico

O português que lidera o Lloyds Bank diz que há seis anos herdou “um banco muito fragilizado e em situação financeira muito precária”. Depois do resgate em 2008, hoje o banco é 100% privado.

O Lloyds Bank foi uma das vítimas da crise do subprime, tendo sido alvo de uma intervenção pública em 2008, quando o Tesouro britânico ficou com uma posição de 43% na instituição.

Em 2011, o Governo britânico resolveu chamar, para comandar os destinos do Lloyds Bank, o português Horta Osório, que chegou a ser presidente do conselho de administração do Banco Santander Totta.

Quando o Santander comprou o Abbey National, Osório ruma a Inglaterra para tomar conta do banco que mais tarde viria a comprar o Alliance & Leicester e o Bradford & Bingley. Deu nas vistas e foi convidado, em 2011, para liderar o Lloyds Bank, banco no qual os contribuintes britânicos injetaram 20,3 mil milhões de libras.

Depois da chegada de Horta Osório, o banco conseguiu colocar-se novamente de pé e o Tesouro britânico, em 2013, começa a desfazer-se da posição. Hoje o Tesouro britânico veio anunciar a saída da totalidade do capital do banco, conseguindo inclusive um “lucro” de mil milhões de euros.

“Herdámos um banco em situação financeira muito precária”

Horta Osório já reagiu a este anúncio. Num comunicado enviado às redações, o homem forte do Lloyds Bank, o segundo maior banco britânico em market cap, confirma que o Governo britânico vendou as últimas ações que detinha no Lloyds Banking Group, “recebendo mais de mil milhões de euros em excesso do valor que investiu no banco”.

Este valor surpreende, porque o próprio tinha antecipado no dia 11 de maio que os contribuintes britânicos poderiam ter um ganho de 600 milhões de euros. Afinal foram mil milhões.

“Há seis anos herdámos um banco muito fragilizado e em situação financeira muito precária. Graças ao trabalho árduo desenvolvido por todas as equipas do banco, o Lloyds é hoje um banco muito sólido, rentável, a pagar dividendos e a apoiar a economia britânica”, afirma Horta Osório.

Na mesma comunicação, o banqueiro escreve que o “trabalho ainda não terminou”, já que o banco, o maior de retalho e comercial do Reino Unido, vai “continuar a ajudar a economia britânica a prosperar”.

A mensagem de Horta Osório termina em jeito de slogan comercial: “a quem tem uma PME, o Lloyds pode disponibilizar-lhe o financiamento de que precisa para crescer. A quem quer cumprir o sonho de ter a sua primeira casa, o Lloyds pode conceder-lhe a hipoteca adequada e a quem quiser continuar a aprender e a desenvolver a sua carreira, o Lloyds pode ajudar através dos 8.000 programas de estágios profissionais que estamos a oferecer em todo o Reino Unido.”

Evolução da capitalização bolsista do Lloyds desde 2011

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