Bancos já estão a dar lucros. A dúvida é a CGD

  • Rita Atalaia
  • 18 Maio 2017

BCP e Santander Totta aumentaram os lucros no primeiro trimestre. O BPI também, mas apenas excluindo o BFA. Hoje é a vez de a CGD apresentar resultados. Estará de regresso aos lucros?

Os lucros estão, pouco a pouco, a regressar aos bancos portugueses. BPI, BCP e Santander Totta estão a beneficiar da recuperação do setor. Perante o crescimento dos lucros, fruto da melhoria da atividade mas também do menor peso das imparidades, os rácios de capital estão cada vez mais fortes. Mas a grande dúvida é se a Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai conseguir apanhar esta boleia dos lucros. Uma questão que será respondida quando o banco estatal apresentar hoje os números para os primeiros três meses do ano.

Nuno Amado (BCP); Pablo Forero (BPI); António Vieira Monteiro (Santander Totta); Paulo Macedo (CGD).

Ao todo, Santander Totta, BCP e BPI (excluindo o impacto da venda do BFA) acumularam lucros de mais de 260 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. Um aumento de quase 60 milhões em relação ao mesmo período do ano passado. O banco de António Vieira Monteiro foi o que mais contribuiu para esta melhoria. Mas o BCP também revelou um aumento dos lucros, contrariando as expectativas no mercado. Para este crescimento contribuiu, disse o banco, o bom desempenho da atividade em Portugal.

O caso do BPI é um pouco diferente. O banco agora liderado por Pablo Forero teria registado lucros de 90 milhões sem contar com a alienação dos 2% que tinha no BFA. Com este impacto, a instituição financeira teve prejuízos de 122,3 milhões. Mas também deixou uma garantia na apresentação dos resultados: o próximo trimestre já deve ser de lucros.

Mas há algo que os três bancos têm em comum: as imparidades estão a diminuir e os rácios de capital estão mais fortes. O dinheiro que as instituições têm de colocar de parte para fazer frente a problemas, como o crédito malparado — Portugal está no top 3 dos países da zona euro onde este indicador é mais elevado — é cada vez menos. Se, por um lado, o banco liderado por António Vieira Monteiro colocou apenas 3,7 milhões de lado, por outro, o BCP diminuiu as provisões para 148 milhões. Já, no BPI, as imparidades resultaram num impacto positivo no resultado de 6,3 milhões de euros.

Os rácios de capital? Estão mais fortes

No BPI, o aumento dos lucros e a diminuição das imparidades traduzem-se numa outra melhoria: os rácios de capital também estão mais fortes. O rácio CET1, com as regras aplicáveis em 2017, ficou nos 11,9%. Já o CET1, com as regras totalmente implementadas, situou-se nos 10,8%.

O mesmo no BCP. “A evolução positiva do rácio CET1 no primeiro trimestre de 2017 beneficiou maioritariamente da operação de aumento de capital realizada em fevereiro 2017 e dos resultados líquidos acumulados do primeiro trimestre de 2017″, destacou o banco liderado por Nuno Amado. O CET1 faseado e totalmente implementado é de 13% e de 11,2%, respetivamente.

Mas a instituição que realmente se destaca é o Santander Totta. O banco realçou, na apresentação dos resultados, que estes indicadores “continuam bastante acima” do que é exigido pelo Banco Central Europeu. E muito acima dos seus pares. O rácio CET1, totalmente implementado, situou-se nos 14,7%.

Será que a CGD vai apanhar boleia?

É neste cenário de aumento dos lucros, redução das imparidades e reforço dos rácios de capital que o banco liderado por Paulo Macedo vai apresentar as contas relativas aos primeiros três meses do ano. Mas pode ainda não ser dia de festa para o banco público.

Contactado pelo ECO, um especialista no setor relembra o que foi dito pelo presidente da CGD quando o banco apresentou os resultados para o total do ano passado: os lucros só devem regressar daqui a dois anos. Há resultados extraordinários negativos e isso fará com que — mesmo com resultados recorrentes positivos — haja no início resultados líquidos negativos até 2018“, explicou Paulo Macedo.

Isto numa base anual. Trimestralmente, é muito difícil fazer uma projeção, refere o analista. “Vai ser um trimestre totalmente atípico por força da recapitalização“, explica. E, por isso, é muito difícil prever se é desta que o banco estatal vai regressar aos lucros. No primeiro trimestre do ano passado, a CGD registou um prejuízo de 74,2 milhões de euros.

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