Crash na bolsa e moeda do Brasil, Ibovespa afunda 10%

Ibovespa afunda 10% no arranque da sessão com nova crise política no Brasil, depois das gravações que implicam Temer num caso de suborno a testemunha do Lava Jato. Moeda tomba 7%.

Crash na bolsa brasileira. O índice Ibovespa abriu a afundar mais de 10%, o que desencadeou automaticamente os mecanismos de travão na bolsa para impedir uma queda ainda mais acentuada. Isto depois de Michel Temer ter sido apanhado numa gravação que pode comprometer a sua liderança enquanto Presidente do Brasil. O real tomba 7%.

O Brasil está mergulhado numa nova crise política. De acordo com a imprensa brasileira, existe uma gravação secreta que mostra Michel Temer a aprovar um pagamento “para comprar o silêncio de Cunha” e que já chegou às mãos do Supremo Tribunal Federal. Esta gravação é comparada a “bomba atómica” com um poder de destruição maior do que as denúncias feitas pela construtora Odebrecht no caso Lava-Jato.

O jornal Globo adianta que os donos de uma produtora de proteína animal, a JBS, entregaram no tribunal uma gravação em que Temer terá autorizado o pagamento de uma mesada a Eduardo Cunha, testemunha naquele caso de corrupção, para se manter calado na prisão. “Tem que manter isso, viu?”, terá dito Temer nas gravações, citado por aquele jornal.

O Presidente brasileiro já veio desmentir as informações, afirmando que “jamais” solicitou pagamentos para comprar o silêncio de Cunha. Para já, Temer cancelou a sua agenda e está a preparar um discurso ao país.

Crash na bolsa brasileira com crise política

Fonte: Bloomberg (valores em pontos)

“As acusações colocam em causa o programa económico de Temer e a estabilidade política dos últimos meses”, refere Marc Chandler, estratego da Brown Brothers Harriman, à Business Insider. Craig Botham, economista da Schroders, considera que as “consequências para o Brasil podem ser amplas”. “As reformas nas pensões e no mercado de trabalho podem estar sob ameaça”, frisou Botham.

"As acusações colocam em causa o programa económico de Temer e a estabilidade política dos últimos meses.”

Marc Chandler

Brown Brothers Harriman

O Ibovespa, o principal índice bolsista brasileiro, abriu a sessão desta quinta-feira a afundar 10,47% para 60.470,22 pontos. Este afundanço parou momentaneamente a negociação na bolsa brasileira. Ao mesmo tempo, o real brasileiro derrapa 6,78% para 0,2968 dólares.

Deste lado do Atlântico, também há empresas europeias a sofrer com a turbulência política no Brasil. Sobretudo aquelas que estão expostas ao mercado brasileiro. A Galp, cuja atividade de exploração de petróleo se concentra no pré-sal brasileiro, cai 3,83% para 13,8 euros. A EDP, que detém a EDP Brasil, perde 1,77% para 3,00 euros. Em Espanha, o Santander cede 4,48% para 5,685 euros.

Questionada pelo ECO sobre o impacto desta crise política, fonte oficial da Galp refere que a empresa está “focada na execução dos projetos que tem em curso no Brasil e, nesse contexto, sublinha a importância da entrada em operação, precisamente [esta quinta-feira], da sétima unidade de produção no Brasil, na área sul do campo de Lula”. Sobre a situação política do Brasil, a Galp não tece comentários, assim como a EDP. Já a EDP preferiu não comentar.

Em Wall Street, o índice tecnológico Nasdaq sobe 0,36%, escapando à maré vendedora que tem fustigado as ações um pouco por todo o lado. O S&P 500 e industrial Dow Jones cedem em torno de 0,02%.

Tesouro cancela leilão, banco central atento

Com a instabilidade política a pressionar os mercados, o Governo brasileiro cancelou os leilões de dívida que estavam programados para esta quinta-feira. “Em razão da volatilidade observada no mercado, o Tesouro Nacional não realizará os leilões de venda” de títulos, adiantou aquela entidade, já depois de ter afirmado que iria “adotar as medidas necessárias para assegurar a plena funcionalidade e a adequada liquidez dos mercados”.

Numa nota citada pela Bloomberg, também o Banco do Brasil revelou que está a monitorizar “o impacto das informações recentemente divulgadas pela imprensa e atuará para manter a plena funcionalidade dos mercados”.

(Notícia atualizada às 15h18)

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