Centeno recomenda ao FMI que melhore modelos de previsão em vez de sugerir reformas

  • Margarida Peixoto
  • 19 Maio 2017

O ministro das Finanças, Mário Centeno, sugeriu esta sexta-feira ao FMI que se dedique mais a melhorar os seus modelos de previsão, e menos a propor reformas com base em dados errados.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, deixou esta sexta-feira um conselho ao FMI: que se dedique a melhorar os seus modelos de previsão económica para Portugal, em vez de sugerir reformas para o país. A recomendação de Centeno chega no mesmo dia em que o ex-economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, apresentou em Lisboa um estudo sobre Portugal, com um conjunto de recomendações de políticas para aumentar o crescimento português.

Mário Centeno falava perante os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças, e depois de Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, ter sublinhado que “até Olivier Blanchard” já reconhece que a prioridade da política económica não pode ser a redução do défice orçamental.

“Gostaria que os profissionais dessas organizações se dedicassem mais a melhorar os modelos que aplicam, do que a projetar reformas que não são baseadas em dados corretos para a economia portuguesa,” disse Mário Centeno, depois de frisar que “gostaria que as previsões do FMI não estivessem tantas vezes desfasadas” da realidade portuguesa, “porque impõem custos muito significativos” à economia.

E aproveitou para defender que “a decisão de saída do Procedimento por Défice Excessivo vai não apenas, nem especialmente, beneficiar as condições de financiamento do Estado, mas também as das famílias e das empresas.”

Sobre a política de cortes salariais e redução de rendimentos, Centeno disse que Portugal acolheu sugestões que não eram acertadas. “Vendemo-nos, a palavra é essa, a uma ideia de política económica não correta, de que era o ajustamento nominal que estava em causa na economia portuguesa”, atirou o ministro.

Mário Centeno confirmou que o Executivo está a “preparar uma medida com incidência no IRS que fará reverter mais uma parte” do aumento da receita fiscal, mas não adiantou detalhes.

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