Juros cedem pela sexta sessão. Taxa a dez anos em mínimos desde setembro

Mantém-se o alívio dos investidores. Juros da dívida continuam em queda pela sexta sessão seguida, depois de Bruxelas recomendar a saída da Portugal do Procedimento por Défice Excessivo.

Os juros da dívida portuguesa continuam em baixa pela sexta sessão consecutiva, o mais largo período de quedas desde o início do ano, com a taxa das obrigações a dez anos a forçar um novo mínimo desde setembro do ano passado, num sinal de maior confiança dos investidores em relação a Portugal.

A yield implícita nas obrigações do Tesouro a dez anos, a referência do mercado, descem quase dois pontos base para os 3,134%, tratando-se do patamar mais baixo dos sete meses. Mas os juros portugueses recuam em todos os prazos. A taxa a cinco anos cai para 1,571%. E nos Bilhetes do Tesouro, títulos de dívida de muito curto prazo e que comportam um nível de risco muito reduzido, os juros encontram-se em terreno negativo.

Esta tendência de alívio no mercado secundário nacional acontece depois de a Comissão Europeia ter recomendado esta segunda-feira a saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos (PDE). Um dos benefícios práticos desta decisão é que a imagem do país sai reforçada junto dos investidores que, com maior grau de confiança, aceitam comprar obrigações portuguesas a uma taxa de juro mais baixa.

Juros portugueses em queda

Em termos simbólicos, a saída de Portugal do PDE seria um importante sinal de uma posição orçamental forte”, dizia ao ECO o economista da agência de rating DBRS Fergus McCormick.

"Em termos simbólicos, a saída de Portugal do PDE seria um importante sinal de uma posição orçamental forte.”

Fergus McCormick

Economista da DBRS

Os juros nacional encontram-se em queda acentuada desde que em meados de março houve uma alteração dos benchmarks que servem de referência para as várias linhas de obrigações no mercado secundário. A 16 de março, a taxa a dez anos superou os 4,3%.

Desde então, várias notícias na frente nacional e internacional contribuíram para colocar a dívida portuguesa na moda. Défice nos 2%, crescimento económico de 2,8% no primeiro trimestre e vitória de Macron nas eleições francesas reforçam o otimismo dos investidores.

“As obrigações portuguesas estão na moda”, salienta Michael Leister, estratego de obrigações do Commerzbank. “Um fator que ajuda é certamente o alívio francês, que tem alimentado o apetite por ativos com maior risco. Mas as dinâmicas surpreendentemente positivas nos fundamentais (isto é, forte crescimento económico e défice mais baixo em 2016) e o percurso mais moderado do Governo do que inicialmente temíamos (não há mais reversões nas reformas) são os fatores dominantes”, frisa o responsável do banco alemão.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Juros cedem pela sexta sessão. Taxa a dez anos em mínimos desde setembro

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião