33 novas razões para sorrir: a Malo Clinic está em expansão

  • ECO
  • 28 Maio 2017

A Malo Clinic vai estender largamente a sua rede de clínicas. São 31 no estrangeiro, mas em Portugal também há novidades. Leiria abre ainda este ano e a Loulé já só falta a inauguração.

33, as contas que Maló fez: em 2017 o grupo Maló vai inaugurar 31 clínicas no estrangeiro e duas em Portugal. A Malo Clinic é a única empresa médica que está presente em tantas localizações: as unidades estão espalhadas por 20 países. “Portugal é o número um na cortiça e nos dentes”, afirma Paulo Maló. O ECO falou com o gestor da rede de clínicas sobre a numerosa expansão — aquilo que a sustenta e os horizontes que abre ao grupo.

O investimento no estrangeiro já é uma história antiga nas clínicas Maló, e com algumas reviravoltas. Em 2008, quando o negócio crescia 35%, o grupo Maló viajou com um largo investimento para a China, um mais humilde nos EUA e um pequeno investimento no Brasil. Quando em 2009 a crise bateu às portas da clínica em Lisboa, o volume de negócios retraiu-se 20% de acordo o gestor, o que afetou todo o processo de internacionalização. Foi “complicado” admite Maló. Algumas clínicas ficaram a meio, outras cortaram no marketing e não entraram no mercado como previsto. Só no Brasil, acabaram por se perder quatro milhões.

"Portugal é pequeno. É difícil crescer a passos maiores”

Paulo Maló, acerca da necessidade de expandir para o estrangeiro

A expansão continuou então mais tímida, mas não chegou a ser interrompida. Atualmente a Malo Clinic tem 12 unidades em Portugal e 65 no estrangeiro. Estas últimas têm portanto bastante peso no volume de negócios, mas ainda assim, ficam-se pelos 42%, peso que deve aumentar para quase metade — 49% — em 2017. No estrangeiro, as clínicas são mais, mas de menor dimensão. Em Portugal, só a clínica lisboeta tem mais salas de bloco operatório do que o Hospital da Luz, diz o gestor.

Paulo Maló nos corredores da maior clínica do grupo, a de Lisboa.Paula Nunes / ECO

 

A empresa assinala um retorno à saúde financeira no ano passado, com um crescimento de 16% no volume de negócios: dois dígitos, à semelhança do que se passou nas clínicas de Angola e da China. A China trouxe 10,8 milhões de euros na bandeja e Angola um milhão. Estes números, dos quais a empresa espera uma continuidade positiva, dão agora força aos novos investimentos da Europa à Ásia, assinalados no mapa:

Infografia de Raquel Sá Martins

 

A expansão para o estrangeiro vai custar ao grupo 6,3 milhões de euros, mas espera-se obter no próximo ano um volume de negócios de 9,3 milhões de euros nas clínicas autónomas e de 700 mil euros com as parcerias. Nestas últimas, o grupo entra com capital consoante o interesse e o que a lei do país permita. São especialidades complementares, não para diversificar o risco mas para conseguir sinergias que ofereçam um serviço mais completo, já que os clientes, reconhece Paulo Maló, “vêm pela estética e conforto”.

Por cá, investem-se 500 mil euros em Leiria e Loulé. Dentro de quatro meses, Leiria vai ter a terceira maior clínica Maló no país, atrás da de Lisboa e da do Porto. A Loulé, já só falta a inauguração oficial, pois a unidade já se encontra em funcionamento. Capitais de distrito como Viseu e Braga são outras localizações em vista para o futuro.

Apesar dos vários projetos confirmados para 2017, Paulo Maló não quer fechar o número em definitivo para o futuro e declara-se ainda em negociações. As empresas de negócios relacionados, como seguradoras ou farmacêuticas, por vezes tomam a iniciativa e avançam com propostas, pois acreditam que irão beneficiar da existência deste novo serviço na sua área. “Querem o know-how e o nome da Maló” explica Paulo.

“Não somos ativos, somos reativos”: Paulo Maló continua a receber propostas de expansão.Paula Nunes / ECO

“Grandes grupos hospitalares nunca conseguiram uma presença como a que nós temos”. A Malo Clinic “é a única empresa médica presente em 20 países”, e de acordo com Paulo Maló, o segredo é a diferenciação permitida pela inovação. A clínica tem de momento a patente de vários tratamentos, com destaque para a reconstrução da maxila. Paulo Maló estima que, entre custos fixos e novos investimentos, o departamento de inovação represente uma despesa de cerca de 40.000 euros por mês.

Para além da inovação, “os dentistas portugueses estão na base do sucesso”, não só pela educação técnica mas também pela educação cívica, defende o gestor. Quando uma unidade autónoma abre, o grupo exporta os profissionais que forma em Portugal, de forma a assegurar a qualidade dos serviços. O departamento de educação recebe atualmente cerca de 4.000 alunos por ano. As novas clínicas autónomas vão exigir a alocação de 100 novos profissionais no estrangeiro e 15 no país.

Para Paulo Maló, os profissionais da sua clínica são uma das chaves que permitem o atual sucesso.Paula Nunes / ECO

Mas voltando à terra: os grandes voos da empresa também enfrentam alguma turbulência. Cada vez que se abre uma clínica, geralmente esta acaba por canibalizar outras já existentes. Este efeito não preocupa Paulo Maló, uma vez que até agora a parcela de canibalização tem sido compensada pela afluência de novos clientes nas novas localizações.

Outra nuvem negra sobre as negociações no estrangeiro é “a marca Portugal”. “Somos pequenos e sempre tivemos pouca agressividade diplomática”, aponta Paulo Maló. O gestor acredita que é necessário um maior investimento nas relações comerciais da parte das embaixadas e do próprio governo. Contudo, o ICEP, a agência para o Investimento e Comércio Externo em Portugal tem contornado o problema graças ao “bom trabalho” dos seus representantes, elogia Maló.

As perspetivas do grupo para 2017 são assim otimistas. O grupo Maló prevê que o crescimento este ano se mantenha nos 16% e seja assim atingida a fasquia dos 86 milhões de euros em volume de negócios.

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