Assédio no trabalho atinge 16,5% da população ativa portuguesa

  • Lusa
  • 29 Maio 2017

Na maioria dos casos, são os superiores hierárquicos ou as chefias diretas os responsáveis pelo assédio moral ou sexual no local de trabalho.

O assédio no local de trabalho já atingiu mais de 16% da população ativa em Portugal. As mulheres são as principais vítimas, tanto de assédio moral como de assédio sexual, mas o problema atinge também os homens, segundo um estudo que será debatido, esta segunda-feira, na Assembleia da República.

Promovido pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) e desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), o estudo permite conhecer a dimensão desta realidade no local de trabalho e as suas características.

Segundo o estudo, que deu origem ao livro Assédio moral e sexual no local de trabalho, que é apresentado esta segunda-feira, 16,7% das mulheres já foi vítima de assédio moral e 14,4% sofreram assédio sexual. Ao mesmo tempo, 15,9% dos homens já foram vítimas de assédio moral e 8,6% de assédio sexual no trabalho.

“Para homens (38,2%) e mulheres (41,8%), a situação mais marcante é ser sistematicamente alvo de situações de stress com o objetivo de levar ao descontrolo”, seguida da “desvalorização sistemática do trabalho” (27% nos homens e 31,3% nas mulheres).

Em termos globais, 16,5% população ativa em Portugal já sofreu, pelo menos uma vez durante a sua vida profissional, uma forma de assédio moral e 12,6% de assédio sexual no local de trabalho, adianta o inquérito, que envolveu 1.801 pessoas, numa amostra representativa da população ativa.

No caso das mulheres sexualmente assediadas verificou-se que o autor ou autora mais frequente dessas situações é o superior hierárquico ou a chefia direta (44,7%), seguindo-se os colegas (26,8%) e os clientes, fornecedores e utentes, responsáveis por 25,1% destes “casos mais marcantes”. Quanto aos homens, os episódios de assédio sexual são levados a cabo por superiores hierárquicos e chefias diretas (33,3%), colegas (31,3%) e clientes, fornecedores ou utentes (29,2%).

Comparando com os dados do primeiro inquérito sobre assédio sexual em Portugal, realizado 1989, o estudo conclui que, nesse ano, os autores eram maioritariamente colegas de trabalho (57%), enquanto em 2015 forma os superiores hierárquicos ou chefias diretas (44,7%).

A investigação salienta ainda que, em 2015, os números do assédio sexual e moral são “muito expressivos e superiores aos que se verificam na média dos países europeus”, e que a maioria das vítimas tinha “um vínculo laboral marcado pela precariedade e pela instabilidade”. Nesse ano, o assédio sexual em Portugal atingia valores de 12,6% (homens e mulheres), enquanto na média dos países europeus se situavam nos 2% em 2010.

Relativamente ao assédio moral a relação é de 16,5% em Portugal para 4,1% na média dos países europeus.

Comparando 1989 e 2015, observa-se uma diminuição da frequência com que as mulheres são alvo assédio sexual, baixando de 34% para cerca de 14%.

“As reações imediatas às situações de assédio em 2015 envolvem o confronto do outro mostrando desagrado imediato (52%), revelando que se interpreta a situação como intolerável, ofensiva e não se admite a sua repetição, enquanto em 1989 fazer de conta que não se notou a situação era a reação mais frequente (49% das mulheres)”, adianta ainda o estudo.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Assédio no trabalho atinge 16,5% da população ativa portuguesa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião