Stiglitz: Eleição de Trump deve impulsionar reformas no euro

  • Marta Santos Silva
  • 30 Maio 2017

O antagonismo do atual presidente dos Estados Unidos deverá empurrar os países europeus a trabalharem juntos com maior proximidade e, para isso, "tem de haver reformas no euro", diz o economista.

O euro tem falhas profundas que precisam de ser reconhecidas e corrigidas com reformas de fundo, afirma o prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz. O norte-americano acredita que a eleição de Donald Trump, com todos os seus aspetos negativos, poderá ter como aspeto positivo uma Europa mais unida e, para isso, “terá de haver uma reforma no euro”.

Joseph Stiglitz, economista norte-americano, critica a forma como se processou a recuperação europeia após a crise de 2008.Paula Nunes/ECO

Premiado esta terça-feira nas Conferências do Estoril pelo seu livro O Euro e a sua ameaça ao Futuro da Europa, Joseph Stiglitz acredita que “a coisa mais sensata a fazer seria reconhecer os problemas na criação do euro e tentar persuadir a Alemanha, em particular, a aceitar essas reformas”. O economista sublinhou que, com Trump nos Estados Unidos, a Europa vai ter de trabalhar mais proximamente. “Ontem, Merkel tornou isso muito claro“, acrescentou.

Questionado pelo ECO sobre se as reformas da moeda única seriam mais apropriadas numa altura de recuperação económica como esta ou numa altura em que as suas falhas estejam mais evidenciadas, Joseph Stiglitz afirmou que “talvez fosse mais fácil para a Alemanha aceitar as reformas agora, quando não parece tanto um bailout aos outros países”.

“A realidade de Trump e a necessidade de a Europa trabalhar junta poderá solidificar algum tipo de compromisso europeu, e se a Europa vai colaborar, o euro tem de ser reformado”, reconheceu.

Moeda única dificultou recuperação dos países em crise

Para Joseph Stiglitz, a moeda única teve um papel importante na difícil recuperação dos países mais desfavorecidos do euro após a crise de 2008, em parte devido às limitações exageradas e centralizadas que foram impostas, e em parte porque o esforço foi desproporcionalmente sobre os países mais fracos enquanto os mais fortes acabaram por sair favorecidos.

“O euro criou uma rigidez na taxa de câmbio, e em qualquer sistema em que haja um choque é preciso que aconteça um ajuste da taxa de câmbio real”, explicou o economista. “Se não for possível alterar a nominal, o que não se pode fazer numa zona de moeda única, é preciso uma alteração da taxa real. E há duas formas de o fazer: ou os países mais fracos se desvalorizam internamente, ou os países ricos aumentam os seus níveis de preços”. O processo escolhido foi o da desvalorização interna.

“Agora que o ajustamento está feito, é possível regressar à prosperidade”, afirmou, sobre os recentes sucessos financeiros portugueses. “Mas claro que haverá choques no futuro. Os problemas fundamentais da zona euro ainda vão estar lá mesmo que Portugal recupere, mesmo que a Irlanda recupere”.

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