Crédito com Euribor a três meses? Pela primeira vez não mexe

Trata-se da primeira vez nos últimos três anos que os portugueses com empréstimos para a compra de casa associados a este indexante não veem o valor da prestação baixar.

Os portugueses com créditos à habitação de taxa variável habituaram-se a receber boas notícias ao longo dos últimos três anos. Sempre que viam revisto o valor da prestação da casa, os encargos baixavam. Este mês, contudo, já não será assim para todas as famílias. Aquelas cujos contratos de crédito têm associados a Euribor a três meses veem, pela primeira vez nos últimos três anos, o valor da prestação ficar inalterado nas revisão que se realiza este mês de junho. As restantes beneficiam de prestações mais baixas, mas pouco.

Evolução da Euribor a três meses nos últimos três anos

Fonte: Bloomberg

Assumindo o cenário de um crédito no valor de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, o valor da prestação mantém-se nos 306,75 euros, para o caso de quem tem o empréstimo associado à Euribor a três meses. Trata-se de uma nova realidade para essas famílias que, desde maio de 2014, se habituaram a ver nas sucessivas revisões mensais novas poupanças de encargos.

Esta situação acontece no seguimento da relativa estabilização deste indexante verificada ao longo do último mês, com o mercado a colocar-se praticamente em posição de espera face a uma eventual inversão da política de juros do Banco Central Europeu. Há quem considere que está mais do que na hora de a entidade liderada por Mario Draghi começar a subir a taxa de juro de referência, devido à maior robustez da economia da Zona Euro, mas também no seguimento das recentes subidas dos juros nos EUA.

No caso dos portugueses que têm créditos associados às Euribor a seis e 12 meses, o mês de junho dita um novo alívio dos encargos, com as expectativas acima referidas a não se refletirem ainda. No caso dos contratos associados à Euribor a seis meses, a prestação baixa em 0,5%, assumindo no mesmo cenário. Esta reduz-se em 1,62 euros face ao valor fixado há seis meses, para se situar nos 310,24 euros. No caso dos empréstimos que têm como referência a taxa a 12 meses, a prestação mensal cai 1,6%, para se situar nos 315,84 euros. Ou seja, 5,2 euros abaixo do valor definido há um ano.

Apesar dos primeiros sinais que apontam para o início do fim do ciclo de quedas dos encargos associados aos empréstimos de taxa variável, a boa notícia para as famílias é que o mercado antecipa que os juros se irão manter negativos ainda durante algum tempo. Só no final de 2019, é antecipada a entrada em terreno positivo da Euribor a três meses. Mesmo daí em diante é aguardada a manutenção das subidas graduais, com o indexante nesse prazo a atingir os 0,5% apenas em setembro de 2021. Mas claro, tudo isto irá depender da vontade do BCE. Ou do surgimento de uma nova metodologia de cálculo para a Euribor, algo que foi testado mas que acabou por não avançar, com os bancos a considerarem que essa mudança não era exequível.

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