Febase denuncia pressões para pré-reforma na Caixa

O secretário da Febase revela que "tomou conhecimento de que a instituição está a pressionar trabalhadores para aceitarem o programa de pré-reformas em vigor". A Caixa rejeita acusações.

A Febase endureceu o tom do discurso e exige à administração Caixa Geral de Depósitos que “deixe de pressionar os trabalhadores para aceitarem a pré-reforma”. Uma das medidas que a administração está a adotar no âmbito do plano de reestruturação acordado com Bruxelas, numa tentativa de reduzir custos. A Caixa rejeita estas acusações.

Em comunicado, o secretário da Febase, a federação que reúne quase todos os sindicatos da banca, revela que “tomou conhecimento de que a instituição está a pressionar trabalhadores para aceitarem o programa de pré-reformas em vigor”. De acordo com as regras do Programa de Pré-Reformas 2017 deve ser o trabalhador a inscrever-se no programa, no entanto, de acordo com o sindicato, “o que está a acontecer é que os trabalhadores a partir dos 55 anos que cumprem os requisitos necessários estão a ser chamados ao Departamento de Pessoal (DPE), mesmo sem que tenham manifestado interesse em sair do banco”.

"O que está a acontecer é que os trabalhadores a partir dos 55 anos que cumprem os requisitos necessários estão a ser chamados ao Departamento de Pessoal (DPE), mesmo sem que tenham manifestado interesse em sair do banco.”

Comunicado da Febase

O sindicato, que “considera de extrema gravidade o comportamento do banco público”, denuncia ainda que a Caixa, além da pressão inadmissível para que os trabalhadores cedam e aceitem a proposta”, “está também a prestar falsas informações sobre progressões na carreira, de forma a influenciar a decisão dos bancários”.

Em reação a estas declarações, fonte oficial da Caixa explica que “a direção de pessoal não presta informações falsas nem pressiona ilegitimamente os empregados, pelo que a afirmação da Febase não tem fundamento e é injuriosa para o profissionalismo e bom nome dos colaboradores desta direção”.

No mesmo esclarecimento, o banco público explica como funciona o Plano de Pré-Reformas para 2017. “A direção de pessoal tem procurado esclarecer todos os empregados elegíveis sobre as características e condições do programa, através de uma caixa eletrónica dedicada, reuniões com participações coletivas e, também, algumas reuniões individuais, muitas delas na sequência de pedidos de esclarecimento dos próprios, outras na sequência de reuniões com as respetivas hierarquias e ainda na sequência de pedidos para a caixa eletrónica”.

Segundo o Sindicato, a Caixa estará a informar os trabalhadores de que as progressões acabaram, mas o sindicato contesta, garantindo que o Acordo de Empresa continua em vigor. Por isso, “o congelamento terminou”, e “os trabalhadores esperam a subida ao nível 11 antes de se reformarem”. Segundo fonte oficial da Caixa estas afirmações “demonstram, em primeira mão, desconhecimento de como funciona o processo das promoções por antiguidade que sempre foi cumprido pela CGD nos termos do Acordo de Empresa”.

A contagem dos quatro anos de congelamento também “não é pacífico”, porque a CGD “pretende ignorar esse período, quando o Governo está ainda a ponderar a sua posição, tendo, em Portaria, solicitado informação a todas as instituições públicas e do setor empresarial do Estado sobre o encargo orçamental que esses anos poderão acarretar”.

O banco público teve um prejuízo histórico de 1,9 mil milhões de euros no ano passado, no sexto ano consecutivo de prejuízos para o líder do mercado bancário português. Na apresentação de resultados, a 10 de março, Paulo Macedo e Rui Vilar avançaram que a CGD vai cortar 2.200 postos de trabalho, através de pré-reformas e rescisões amigáveis, e fechar mais de metade dos balcões até 2020, no âmbito do acordado com Bruxelas.

Por ocasião dos primeiros 100 dias à frente da Caixa, Paulo Macedo disse ao ECO: “Estamos agora focados na redução dos custos. Naturalmente que as reestruturações mexem com as pessoas, e quando falamos de pessoas são sempre questões sensíveis. A redução do quadro de pessoal, o encerramento de agências e o aumento das comissões são decisões delicadas e exigentes que merecem a nossa atenção e reflexão.

Artigo atualizado às 17:32 com a posição da Caixa Geral de Depósitos

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