OCDE aconselha: resolvam o malparado enquanto os empresários estão confiantes

  • Margarida Peixoto
  • 7 Junho 2017

A OCDE deixou seis conselhos ao Governo português. Um deles é acelerar a solução do malparado para tirar partido da confiança dos empresários.

Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Mário Centeno, ministro das Finanças.Paula Nunes / ECO

Pé no acelerador — é esta a palavra de ordem da OCDE para o Governo português, no que toca a encontrar a solução para o malparado dos bancos. Se os incentivos certos forem implementados depressa, ainda será possível aproveitar os elevados níveis de confiança dos empresários e estimular, por essa via, um crescimento mais acentuado do PIB. Mas esta não é a única recomendação, há mais cinco. Aqui ficam todas.

1 – Acelerar solução para o malparado

“De forma a reduzir mais a incerteza em torno do setor bancário, e melhorar a oferta de crédito e o seu preço, são necessárias medidas que encorajem a redução do stock de créditos malparados no balanço dos bancos”, lê-se no relatório da OCDE. “A transmissão à atividade económica pode ser particularmente forte neste momento, devido ao aumento da confiança dos empresários”, soma a organização.

2 – Apostar nas qualificações

Portugal precisa de aumentar as qualificações, diz a OCDE. “A percentagem da população em idade ativa com qualificações acima do ensino secundário continua a ser uma das mais baixas da OCDE”, frisa o documento. Esta falta de qualificações compromete os ganhos obtidos com a globalização e a sua distribuição por uma fatia maior da população. A OCDE recomenda ainda uma ênfase maior na formação profissional.

3 – Melhorar os recursos para Educação

“A prioridade nas reformas incluem uma ênfase maior na formação profissional, aumentar a formação dos professores e aumentar os recursos para a edução pré-primária e primária”, aconselha a OCDE.

4 – Manter disciplina orçamental

A OCDE reconhece que a retoma económica ganharia se a política orçamental fosse mais expansionista. Contudo, recomenda que o Governo mantenha uma política orçamental neutral, pelos riscos de regresso ao desequilíbrio e pelo excessivo endividamento do país.

5 – Ter cuidado com aumento do salário mínimo

A recomendação replica o conselho da Comissão Europeia: a OCDE recomenda cautela com novos aumentos do salário mínimo e avisa que poderá prejudicar a empregabilidade dos trabalhadores com menores níveis de qualificação. “O aumento do salário mínimo que entrou em vigor em janeiro de 2017 deverá apoiar a procura. Contudo, é preciso ter cuidado para que os aumentos do salário mínimo não resultem num aumento do desemprego entre os menos qualificados ou em mais compressão salarial para quem tenha salários imediatamente acima do mínimo”, lê-se no relatório.

6 – Reduzir a dualidade do mercado de trabalho

A OCDE recomenda ao Governo que diminua a diferença na proteção no emprego entre trabalhadores permanentes e temporários. Juntamente com a melhoria das qualificações dos trabalhadores com menores níveis de habilitação, esta é uma medida que ajudaria a distribuir melhor os ganhos da globalização.

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