Impresa duplica valor em seis meses. O que se passa?

As ações da dona da SIC duplicaram de valor no último semestre. Os títulos avançam ao sabor de uma "guerra" entre operadoras que ainda nem sequer começou. Mas a liquidez também aumenta.

A Impresa já duplicou de valor na bolsa de Lisboa desde o início do ano. As ações do grupo de media entraram em 2017 a valer 19 cêntimos. Mas, com a escalada deste semestre, os títulos da empresa de Francisco Pinto Balsemão estão agora cotados a 38,2 cêntimos, um máximo de mais de um ano. Só esta semana, a valorização chega aos 10%, com a empresa a ser avaliada em cerca de 65 milhões de euros.

As ações da dona da SIC IPR 0,00% avançaram 4,59%, naquela que foi a quarta sessão consecutiva de ganhos. Só no passado dia 14, quarta-feira, o desempenho dos títulos levaram o grupo a fechar com uma valorização intradiária de 12,22%. Desde o início do ano ganha 103%. Contactada, fonte oficial do grupo optou por não comentar.

Recorde-se que, esta segunda-feira, o fundo espanhol Azvalor Asset Management aumentou a sua posição no grupo, de 1,995% para 2,293%, um sinal de confiança na empresa por parte do mercado. Além do mais, a casa-mãe da estação de Carnaxide tem beneficiado este ano da concorrência aguda entre operadoras de telecomunicações.

Nota ainda para o desempenho da Impresa na bolsa ao nível da liquidez. Entre a última sessão de 2016 e a desta quarta-feira, foram transacionadas 735.644 ações em média. No entanto, nas semanas recentes o volume tem crescido bastante, havendo dias em que são negociados mais de um milhão de títulos, ou mesmo três milhões de ações num só dia, como aconteceu no passado dia 31 de maio.

De onde vem a subida?

Foi no final do ano passado que se soube que a Altice, dona da PT/Meo, estaria interessada na compra da Media Capital aos espanhóis da Prisa, uma hipótese que foi reforçada no início deste mês: segundo informações avançadas pela Bloomberg, o grupo estará mesmo a estudar a hipótese de avançar com uma proposta de aquisição.

A Media Capital detém a TVI e é a principal concorrente direta do grupo Impresa. Assim, quando se soube da intenção de compra em dezembro, o presidente da operadora Nos, Miguel Almeida, que concorre diretamente com a Meo da Altice, mostrou-se pouco confortável com o negócio. E alertou que se uma fusão Media Capital/Meo fosse aprovada pelos reguladores, haveria “guerra”. Logo nessa altura, a hipótese de a Nos avançar para a compra do grupo Impresa foi colocada em cima da mesa pelos analistas do Haitong, catapultando as ações da companhia.

Não é difícil perceber o apetite das operadoras por grupos de media. Numa nota assinada pelo analista Artur Amaro, do CaixaBI, justifica: “A tendência mundial dos operadores de telecomunicações comprarem grupos de media tem um racional económico interessante, conferindo-lhes muitas vantagens: controlar a publicidade, oferecer aos clientes uma experiência de televisão com os melhores conteúdos (…) e, acima de tudo, conhecimento dos consumidores e dos seus hábitos.”

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Impresa duplica valor em seis meses. O que se passa?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião