Com o Governo pressionado, Centeno foi ao Parlamento mostrar 12 trunfos na economia

  • Margarida Peixoto
  • 5 Julho 2017

Mário Centeno diz que a massa salarial dos portugueses cresceu cerca de 6% no último ano. Este foi apenas um dos trunfos apresentados pelo ministro das Finanças, aos deputados.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, está esta quarta-feira de manhã na Assembleia da República, para prestar contas do andamento da economia e das finanças públicas, num momento em que a legislatura vai quase a meio e em que o Governo atravessa a sua maior crise política até ao momento, com a tragédia de Pedrógão Grande e o assalto a material militar em Tancos como pano de fundo. Centeno foi assim munido de todos os trunfos económicos para mostrar aos deputados. “Não podemos dizer que, a estes quase 20 meses de mandato, tenha faltado ação e resultados”, defendeu.

Crescimento, desemprego, défice, rating, exportações, investimento, impostos, dívida, banca, capitalização das empresas, política de rendimentos, políticas setoriais — Mário Centeno varreu de forma exaustiva as áreas de política económica e financeira, trazendo números e resultados para cada uma delas.

No crescimento, frisou que Portugal “voltou a convergir com a União Europeia”, o que “não acontecia desde 2009.” No mercado de trabalho, sublinhou o aumento da população ativa, a redução do desemprego — “em maio há menos 90 mil desempregados”, notou — e o aumento do emprego — são mais “140 mil”, garantiu.

No que toca ao défice, recuperou a importância da saída do Procedimento por Défice Excessivos, argumentando que esta marca “uma viragem que expressa a avaliação da União Europeia de que o défice orçamental excessivo foi corrigido de forma sustentável e duradoura.” E reafirmou o compromisso de atingir um défice de 1,5% este ano e um excedente primário de 2,7%.

Aliás, quanto a 2017, reafirmou que a execução orçamental deste ano vai no bom caminho e que o aumento do défice em contas públicas até maio se deve apenas ao aumento acentuado dos reembolsos. Recuperou os números do aumento das contribuições sociais (5,5%) e da receita fiscal bruta (6,1%), com a ajuda de um aumento da coleta bruta do IVA de 6,3%. E aproveitou para notar que o investimento está subir 15,5%. Mais: diz o ministro que no primeiro trimestre o investimento cresceu “mais de 40% nas autarquias” e “perto de 20% na administração central.”

Mário Centeno frisou ainda “a inflexão na trajetória da dívida pública” e a melhoria das perspetivas do rating da dívida da República, por parte da Fitch. Defendeu “o novo impulso de crescimento, baseado na performance das exportações e do investimento empresarial, bem como no dinamismo do mercado de trabalho”.

Na banca, acenou com a “estabilização do sistema financeiro”, a “capitalização da CGD” e a “garantia de solvabilidade do Fundo de Resolução”, que permitiram que entrasse “novo capital nos bancos privados em Portugal”, capital este “de variadíssimas origens”. Também no que toca à capitalização das empresas o ministro defende que foram feitos progressos.

No final, Mário Centeno teve ainda tempo para recordar a política de “recuperação de rendimentos”, com a “redução da carga fiscal” e garantindo que “no último ano, os portugueses viram a sua massa salarial crescer cerca de 6%.” E não esqueceu as preocupações com a Saúde e a Educação, recordando o aumento do número de profissionais (médicos, enfermeiros e professores), que diz ter sido “o maior dos últimos anos.”

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