Centeno atinge meta do défice em 2017 “confortavelmente”, diz FMI

A aceleração do crescimento vai permitir alcançar a meta de défice de 1,5% de forma confortável, dizem os técnicos do FMI. Finanças dizem que missão do FMI "sublinha o fortalecimento da economia".

O ciclo económico está favorável a Portugal e vai refletir-se nas contas públicas deste ano. Esse fator, somado ao compromisso de controlar a despesa, tornará mais fácil a tarefa do ministro das Finanças de alcançar um défice de 1,5% em 2017. A meta de Mário Centeno deverá ser atingida “confortavelmente”, escrevem os técnicos do Fundo Monetário Internacional num documento preliminar divulgado esta sexta-feira sobre a mais recente missão ao abrigo do Artigo IV realizada entre 19 e 29 de junho.

“A aceleração no crescimento sugere que a meta de 1,5% do PIB para o défice orçamental deste ano é alcançável”, lê-se nas conclusões preliminares. No entanto, os técnicos do FMI aconselham o Governo a utilizar a possível folga orçamental num corte “mais ambicioso” da dívida pública em 2017. Prevendo que “eventualmente” a política monetária acomodatícia seja reduzida em breve, o Fundo diz que Portugal tem de aproveitar as “condições cíclicas favoráveis” para melhorar as suas condições de financiamento, antecipando um impacto da retirada dos estímulos do Banco Central Europeu.

O FMI reforça a ideia de que “a consolidação orçamental estrutural e duradoura continua a ser essencial para assegurar a sustentabilidade das finanças públicas” portuguesas. Contudo, esse ajustamento deve ser focado em reformas que “melhorem a eficiência da despesa pública”, o que seria uma forma mais amiga do crescimento de controlar o défice. Para os técnicos do FMI, Portugal deve reforçar a perceção dos investidores de que existe estabilidade fiscal para fomentar o investimento.

A aceleração no crescimento sugere que a meta de 1,5% do PIB para o défice orçamental deste ano é alcançável.

Fundo Monetário Internacional

Resultado da mais recente missão pós-programa

O Fundo Monetário Internacional assinala ainda a saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivo — recomendação confirmada pelo Conselho Europeu — como um momento decisivo para o país. “O resultado orçamental de 2016 foi significativamente melhor do que o esperado, refletindo o forte esforço para conter a despesa”, refere o FMI. Estes fatores levaram a uma melhoria do “sentimento dos mercados em torno de Portugal”, o que contribuiu para uma diminuição “acentuada” nos juros da dívida portuguesa desde março.

Finanças: “Missão sublinha o fortalecimento da economia portuguesa”

O Ministério das Finanças escreve que a missão do FMI sublinhou “o fortalecimento da economia portuguesa”. Em comunicado, o gabinete de Mário Centeno diz que o crescimento será assente em investimento privado e exportações, “resultado da melhoria das condições de crédito e do aumento da competitividade dos bens e serviços portugueses”.

Os resultados da economia, assim como os orçamentais, “assentam na mudança estrutural em curso”, argumentam as Finanças, referindo que “a importância das reformas de 2016 no setor financeiro é, corretamente, salientada pelo Fundo“. “A alteração recente da perspetiva para a economia portuguesa de várias instituições é confirmada pelos resultados desta Missão”, conclui o comunicado de reação às conclusões preliminares da missão do Fundo Monetário Internacional ao abrigo do artigo IV.

(Atualizado às 11h40 com a reação do Ministério das Finanças)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Centeno atinge meta do défice em 2017 “confortavelmente”, diz FMI

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião